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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nós merecemos...

Tem coisas que não tem como a gente entender. Não dá. Eu explico: quem lê este blog, viu que eu fiz uma reclamação pesada sobre a Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Dizia eu há quase três meses: "conversei com o Moisés Bauer, presidente do Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência). Ele me disse que a conferência pouco trará de resultados práticos porque o conselho não tem força para peitar os ministérios já que ele é "menos" do que um ministério. Aquilo que discutimos são apenas propostas. O conselho não tem como forçar um ministério a fazer essas propostas virarem leis. Me senti um bobo quando ouvi isso" (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/12/3-conferencia-do-direitos-da-pessoa-com.html).
Agora pioraram as coisas. O Moisés saiu. Foi substituído pelo Antonio José Ferreira. Não seria nada demais se o Antonio já não fosse o Secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Pois é... Mas foi isso que aconteceu. Para quem não se deu conta do absurdo, o Conade é o principal órgão fiscalizador das políticas para as PcDs. Ou seja, o Antonio, como presidente do Conade, será fiscalizador do seu prório trabalho enquanto secretário.
Aí não dá para acreditar em mais nada. É uma pena porque a causa das PcDs é uma das poucas (talvez a única) em que as diferenças políticas-partidárias ainda são deixadas de lado tal é a nobreza da causa. Mas aí acontece esse tipo de coisa com gente do próprio movimento (para quem não sabe, Antonio é cego). É de perder as esperanças.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sucesso do Blog VII

Faz tempo que não escrevia uma postagem com esse título. Mas hoje os números justificam. Ultrapassamos a marca de 500 visitas nos Estados Unidos e 200 na Alemanha. Confesso que eu imaginava que viria o número maior de visualizações seria de outros países da América do Sul (do Brasil, são mais de 3,4 mil acessos) por causa da distância geográfica e da língua espanhola e de Portugal em virtude do português, obviamente.
A lista de 38 países que já passou por aqui é esta: Brasil; Alemanha; Estados Unidos; Rússia; Gana; Letônia; Portugal; República Tcheca; Canadá; Reino Unido; Honduras; Uruguai; Colômbia; Israel; Barbados; Japão; Arábia Saudita; Emirados Árabes; Polônia; Malásia; Nicarágua; Espanha; Senegal; Índia;  Austrália; Iraque; Argentina; Nova Zelândia; Chile; Bélgica; Ucrânia; França; Itália; Suécia; Indonésia; Irlanda; Romênia e Turquia.
São quase 4,7 mil visualizações e o que praticamente parou de crescer foi o número de seguidores. Atualmente, são 96.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Oscar Pistorius

O grande sonho das pessoas com deficiência é se igualar, ter as mesmas condições de vida às que não tem deficiência. Oscar Pistorius chegou muito próximo disso na parte física. Ele, com suas próteses, participou de Olimpíadas e conseguiu resultados muito bons. Sempre defendi que Pistorius pudesse  competir com atletas sem deficiência. Eu achava um absurdo quando diziam que ele levava vantagem porque as próteses eram mais leves do que pernas. Ora, ninguém se deu conta do trabalho que ele teve que se adaptar para correr com aquelas próteses, da falta de equilíbrio que um deficiente tem, entre outras coisas. Se alguém acha que é uma vantagem correr com próteses, então ampute suas pernas e bote próteses.
Mas agora não dá para defender Pistorius. Matar a namorada foi demais. Não aceito a desculpa de que ele tinha mania de perseguição e por isso andava armado. Com armas, tem que ter muito cuidado. Senão acontece isso: faz uma bobagem desse tamanho e estraga a sua vida.
Uma pena é que Pistorius era uma referência para os PcDs. Ele conseguiu uma façanha: foi o primeiro deficiente a equiparar-se fisicamente numa opinião de altíssimo nível comos os Jogos Olímpicos a uma pessoa sem deficiência. Ele era uma prova de que, com algumas adaptações, podemos chegar no nível dos outros. Perdemos essa referência e para achar outro Oscar Pistorius não será fácil.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Mais um artigo do Jorge Amaro no Correio do Povo

Com um intervalo de quase dois meses, consegui com que outro texto do Jorge Amaro fosse publicado no Correio do Povo. Para quem não teve acesso, aí está a íntegra do texto:


                                     Um ano de direitos para as pessoas com deficiência


O ano de 2013 é emblemático para as pessoas com deficiência (PcD) no Brasil. Primeiro, por ser véspera da Copa de 2014, quando estaremos organizando o país para receber turistas de todo mundo. Haveria momento melhor do que este para colocar a acessibilidade de fato como parte do desenvolvimento do país?

Segundo, porque a 22ª Cúpula Ibero-americana declarou o ano de 2013 como sendo o Ano Ibero-americano para inclusão das PcD no mercado de trabalho. Com base em dados do Relatório Mundial sobre a Deficiência, da Organização Mundial de Saúde, 15% da população mundial tem algum tipo de limitação física e cerca de 90 milhões desse total vivem na região ibero-americana. A predominância de deficiências é maior nos países de baixa renda e na população feminina, conforme o documento. Os chefes de Estado da Península Ibérica e da América Latina reconheceram a necessidade de fortalecer políticas públicas e assegurar a inclusão trabalhista às PcD. No documento aprovado na cúpula, os líderes consideram que cerca de 80% das PcD em idade laboral estão desempregadas por falta de acessibilidade, bem como de conscientização do setor privado sobre o potencial destas pessoas.

Também não podemos esquecer que estamos no sétimo ano da Década das Américas: pelos Direitos e pela Dignidade das PcD, evento criado pela Organização dos Estados Americanos, cujo lema é Igualdade, Dignidade e Participação, com os objetivos de alcançar o reconhecimento e o pleno exercício do direito de participar plenamente da vida econômica, social, cultural, política e no desenvolvimento de suas sociedades, sem discriminação e em situação de igualdade com as demais pessoas.

Junto com estes elementos, a Faders completa 40 anos de atuação na implementação de direitos e afirmação da cidadania das pessoas com deficiência e também daquelas com altas habilidades.

Há aqui determinadas questões a serem debatidas. Por um lado, há uma clara evidência do desejo de garantir os direitos das PcD mas, por outro, falhamos drasticamente na busca por uma arquitetura que estabeleça relações com estes instrumentos, seja nas ações do poder público ou mesmo da sociedade civil. Qual o direito que queremos e, essencialmente, como queremos? Não ouso dar respostas, mas as pistas estão seguramente no protagonismo daqueles ocupam as fileiras da marginalização social e nas diferentes ferramentas de controle social.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Minha Estreia na Arena

Confesso que estava ansioso para conhecer a Arena do Grêmio. Mas o preço do ingresso aumentou muito e eu achava caro. Como todos os jogos até agora tiveram transmissão da TV, acabava adiando a experiência. Ontem, a verdadeira oportunidade surgiu (o Grêmio e a Arena disponibilizam um campo especial no site onde os PcDs podem comprar seus ingressos) e eu resolvi aproveitá-la. Não me arrependi.
Logo na chegada, você vê um estádio bonito e imponente. Que dá vontade de entrar nele. A rampa é longa e cansativa de subir mas as imagens que eu veria logo depois compensariam. Entrando na Arena, os sinais de localização são muitos. Os corredores são largos, fáceis de circular, completamente ao contrário de Olímpico. É mole de encontrar o teu lugar.
A localização do lugar dos deficientes é maravilhosa. É um assento privilegiado (e confortável) onde você pode assistir o jogo sentado (que saudade de poder fazer isso!).
Olhem a visão que eu tinha do campo:
Comparem com a visão que eu tinha no Olímpico:
No intervalo do jogo, consegui ir no banheiro e no bar e voltar antes dos jogadores retornarem ao gramado. Quando eu conseguiria fazer isso no Olímpico? Nem a pau, Juvenal! Aliás, na Arena, tem vários banheiros acessíveis. Acompanhe na foto:
Enfim, foi uma experiência impactante. Tive um prazer em assistir um jogo na Arena que poucas vezes tive no Olímpico. É claro que a Arena tem seus problemas. O estádio é longe de tudo e mal localizado. As vias de acesso são precárias. Demorei muito tempo até chegar em casa. O uso do celular é outra coisa complicada. O curioso é que recebi ligações (inclusive do Recife), troquei mensagens mas não consegui ligar. O outro problema (continuo batendo nesta tecla) é o alto preço do ingresso. Tenho 50% de desconto em função da deficiência (no Olímpico, eu não pagava).
Mas a Arena é maravilhosa porque iguala os gremistas. Por causa da acessibilidade, todos podem torcer de igual maneira. Não existem os deficientes ou não-deficientes. Existe uma coisa muito maior que é invisível mas que só nós sentimos: o amor pelo Grêmio.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Historinha no ônibus

Gentileza nesse mundo de hoje é cada vez mais raro. Ainda mais se tratando de jovens, que são meio "avoadinhos". Outro dia, no ônibus, perto de mim tinha um casal de namorados. Era um casal até um pouco fora do comum porque ele é bem maior do que ela (na verdade, quando o vi de pé, percebi que o guri tinha uns dois metros de altura. Eu não batia no ombro dele. Mas ela também é pequenininha). Além disso, ele abraçava ela de uma maneira que a guria mal podia respirar. Confesso que achei que era o tipo da relação em que ele manda e desmanda nela.
Quando me levantei para descer do ônibus, percebi que eles desceriam na mesma parada que eu. De pé no busungão, ela já caminhava livremente, sem a pressão dele. Quando eles sairam do ônibus, ficaram parados na calçada, esperando algo que eu não sabia o que era. Para minha surpresa, era comigo. A menina, gentilmente, me perguntou se eu precisava de algo. 
Recusei, é claro porque, felizmente, não preciso desse tipo de ajuda mas fiquei super contente com a iniciativa deles. Como disse logo no início do texto, gentileza está em falta hoje em dia. E a menina agiu direitinho. Não tomou a iniciativa de me pegar ou tocar. Só perguntou o que eu precisava. Digo isso porque cada PcD conhece seu corpo e suas necessidades. Ela foi muito legal. E é muito bonitinha.Pena que estava com o namorado.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Essa minha vida de blogueiro

Pois é, minha gente, isso eu nunca pensei que seria na vida: blogueiro. E estou adorando! Há três anos, já tinha montado esse blog que você está lendo. Agora, recebi uma nobre missão do meu amigo Osorio: cuidar do blog da TAAG (Torcida Acessível da Arena do Grêmio). É claro que aceitei.
Estou fazendo duas descobertas nessa minha nova vida. A primeira é que talvez eu tenha um certo talento para escrever (o que eu nunca imaginei. Não achei e não acho que tenho esse dote). Pelo menos, eu tenho um pequeno público cativo, o que aumenta a minha auto-estima. A segunda é a curiosidade de saber da onde vem essas visitas. E vem dos mais variados lugares. Só neste blog, são 36 países. É sempre uma expectativa.
E o mais legal é que são blogs de estilos diferentes. Aqui, como é um blog pessoal, posso escrever de um modo mais descontraído como estou fazendo agora. No blog da TAAG, como represento um grupo, tenho que escrever de um modo menos pessoal, quase sempre jornalisticamente. É um exercício saudável. 
Dá trabalho cuidar de dois blogs mas é um trabalho gostoso. Ainda bem que tenho tempo para isso. Enquanto isso, vou me "descobrindo" e descorindo vocês.