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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Feliz 2013!


Esta é a última postagem deste blog em 2012. Blog que foi uma das minhas maiores alegrias neste ano que tá terminando. Com ele, conheci pessoas; ganhei amigos; atravessei países e continentes; tive meu ego massageado com as mensagens do leitores e, evidentemente, adquiri conhecimento.
Como contei na 100ª postagem (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/100-postagem.html), comecei muito devagar por achar que não escrevo bem. Em maio deste ano, tudo mudou. Tive algumas respostas positivas e resolvi investir nesta vida de blogueiro. Segundo as estatísticas do Blogspot, o número de visualizações mais do que triplicou. Países visitantes são 33, além do Brasil. A saber: Alemanha; Estados Unidos; Rússia; Gana; Letônia; Portugal; República Tcheca; Canadá; Reino Unido; Honduras; Uruguai; Colômbia; Israel; Barbados; Japão; Arábia Saudita; Emirados Árabes; Polônia; Malásia; Nicarágua; Espanha; Senegal; Índia; Austrália; Iraque; Argentina; Nova Zelândia; Chile; Bélgica; Ucrânia; França; Itália e Suécia.
Quando eu imaginar, um dia, que teria um texto meu lido no outro lado do mundo? Fantástico! Vocês podem me dizer: "mas, Gustavo, tem blog muito mais acessado do que o teu". Não quero nem saber! Estes que eu citei leram o que escrevi e, portanto, me deram uma forma de carinho.
Outro momento muito legal de 2012 foi a Conferência Nacional dos Direitos da PcD em Brasilia. Como já citei outras vezes, não pelo nível do evento, que achei baixo mas por ter conhecido Brasília e, principalmente, pela grande quantidade de amigos que fiz lá.
Falando em amigos, deixa eu citar alguns que marcaram das mais variadas formas durante o ano: Gisele; Marliene; Liza;.Jorge; Osorio; Naliny; Lucilene; Alex, Silvinha... Faltam vários.
No final das contas, terminei 2012 sendo um cara mais inclusivo, e, principalmente, mais feliz. Minha resolução para 2013 é continuar nessa toada.  

Artigo do Jorge Amaro, desta vez publicado

Hoje, consegui que um texto do Jorge Amaro fosse publicado no Correio do Povo. Acompanhem:


                    Políticas para pessoas com deficiência: é hora de fazer


No dia 1° de janeiro, assumem os prefeitos e vice-prefeitos eleitos. Muitos são os desafios para garantir políticas públicas á população. Recentemente, ocorreu a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (PcD), sendo a primeira após a ratificação da Convenção da ONU dos Direitos da PcD, documento que reconhece que a deficiência não está na pessoa, mas sim nas barreiras que a sociedade oferece, impossibilitando uma vida em igualdade de oportunidades com os outros indivíduos.

O relatório final do evento apresentou 400 propostas em muitas áreas que servirão de subsídio aos futuros gestores. Todas de inegável importância para que a qualidade de vida das PcDs supere a atual exclusão. Gostaria de destacar uma, que considero a que garante a materialidade do principal lema das PcDs e mostra o seu protagonismo, o “nada sobre nós sem nós”.

O eixo padrão de vida e proteção social estabeleceu, como meta, fortalecer a política da PcD, tendo, por base, a criação de conselhos em nível estadual e municipal como requisito para acesso a recursos de programas sociais voltados a estes públicos. O conselho é o espaço onde as PcDs tem voz. No RS, são pouco mais de 50 em atividade. Depois, vem a criação dos fundos junto aos conselhos, garantindo repasse financeiro das três esferas de governo para ações de capacitação que atendam as PcDs. Terceiro, estabelecer percentual de repasse de, no mínimo, 1% do orçamento de cada esfera do governo para estes fundos bem como garantir que as multas aplicadas pelo não cumprimento da legislação de acessibilidade sejam revertidas para estes meios.

Associado a isto, foi aprovada a moção de apoio à criação do Sistema Nacional Articulado de Políticas para PcDs, que aponta a criação de órgãos gestores, que podem ser secretarias, diretorias, assessorias ou coordenadorias para a criação de políticas públicas para os deficientes. Há apenas sete espaços municipais no RS.

São necessidades para que avancemos na construção de um país democrático, que respeite as diferenças e promova a acessibilidade como direito de todos. Os planos Viver e RS sem Limite precisam destas estruturas para sair do papel e fazer com que as ações se enraízem por todos recantos deste estado e do país. Não podemos negar este direito às PcDs. Mais do que uma responsabilidade legal, é um dever moral.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quem é Raul Cohen?

Muitos não sabem mas Porto Alegre tem a sua Secretaria de Acessibilidade e Inclusão Social desde 2005. O primeiro secretário foi Tarcízio Cardoso. Ele tem paralisia cerebral e fez um trabalho bem interessante quando começou a discutir o Plano Diretor de Acessibilidade do município, o primeiro no país (http://pt.scribd.com/doc/87046907/Republicacao-Plano-Diretor-de-Acessibilidade).
Depois acredito que o atual prefeito José Fortunati quis dar um peso mais político á pasta e colocou Paulo Brum como secretário. Brum é cadeirante e já foi vereador e deputado estadual. Com ele, o Plano Diretor foi aprovado e sancionado.
Paulo Brum foi candidato a vereador e portanto se afastou da pasta. No lugar dele, entrou Aracy Ledo, que não é deficiente mas é muito envolvida na área das PcDs. Tanto que, antes de assumir a secretaria, ela era presidente da Fenapaes, Federação Nacional das Apaes.
Aí é que entra a minha reclamação e o porquê de eu estar fazendo este texto. Fortunati foi reeleito e descobri, outro dia, que o novo secretário municipal de acessibilidade e inclusão social é Raul Cohen. Confesso que não conheço este senhor e, portanto, fui buscar informações a respeito dele. As mais claras vieram do próprio site da prefeitura. Lá vai: "Raul Fernando Cohen é vice-presidente da ONG Brasil Sem Grades, organização que tem como missão despertar a consciência da população brasileira através do desenvolvimento social e de ações voltadas para o combate às causas da criminalidade. Formado em Direito e Administração de Empresas, é vice-presidente da Federasul, empresário e consultor da área de eventos. Foi diretor da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e membro do Conselho Diretor da Confederação Latino Americana de Empresas de Eventos (Cocal). Fundador e Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação Porto Alegre Congressos e Eventos Porto Alegre Convention & Visitors Bureau. É Coordenador da Divisão Temática de Segurança Pública da Agenda 2020, movimento que organiza propostas de interesse da sociedade gaúcha".
A pergunta é: que trabalho este senhor fez em prol das pessoas com deficiência? Quando ele trabalhou com este público? Como você mesmo pode ver no currículo dele, não há nenhum trabalho do futuro secretário em relação ao nosso público. Nós, pessoas com deficiência temos um lema ("Nada sobre nós sem nós") e esta frase não é a toa. Temos nossas especifidades e sabemos, melhor do que ninguém, das nossas dificuldades. Por isso, queremos o nosso espaço na sociedade, inclusive na esfera política.
A verdade é que Fortunati, em nome da governança, quis acomodar o PP no seu secretariado (Cohen é do PP e fez pouco mais de mil votos na última eleição e ficou na suplência de vereadores). Enquanto isso, no próprio PDT, temos um vereador que tem amputação num dos braços, Luciano Marcantônio, e que assumirá a secretaria de Direitos Humanos. Não consigo entender. Uma pena é que as pessoas com deficiência de Porto Alegre serão cobaias dessa experiência.   

domingo, 23 de dezembro de 2012

Historinha na Farmácia

Essa história, eu já contei no facebook mas como lá as coisas se perdem entre os vários status; notificações e recados que botam na sua página, contarei tudo de novo.
Há alguns dias, precisei comprar uns remédios numa farmácia perto de casa. Notei que eles botam um selo (propaganda da farmácia) em cima do escrito em braille nas caixas dos remédios. E olha que tem espaço suficiente na caixa para colocar o tal do selo...
Anteontem, precisei voltar lá. Aí, tomei coragem e resolvi pedir que eles não fizessem mais aquilo. Resposta da atendente: 
- É que quase ninguém procura (o braille). 
Minha resposta: 
- Algum motivo o braille tem de estar ali. Acabou-se a discussão. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Artigo do Jorge Amaro não publicado

Pois é, minha gente. Nem todo dia é dia santo. Ao contrário de outras vezes, não consegui publicar o último artigo do Jorge Amaro. Mas gostei bastante do texto e por isso publico aqui. Lá vai:


                                                     A Arena e a vaia

O futebol brasileiro pode ser dividido em antes e depois da Arena do Grêmio, inaugurada recentemente? Se observarmos o quesito acessibilidade universal, sim, pois é o primeiro estádio de uma nova geração onde este aspecto foi respeitado, num estado marcado pela ausência da acessibilidade e uma forte discriminação em relação a pessoa com deficiência (PcD). Assim como os jogos paralímpicos de 2016, a Copa também dará uma importante contribuição a disseminação de ações positivas relacionadas à PcD, que hoje representam no Rio Grande do Sul, 2,5 milhões de pessoas.
No dia 3 de dezembro, comemoramos o dia internacional da pessoa com deficiência e o assunto da semana foi a suposta vaia recebida pela presidente Dilma Rousseff na III Conferência Nacional dos Direitos da PcD. No seu discurso, ela pronunciou a palavra “portador” e a plenária manifestou-se. A presidente corrigiu-se, dizendo que o termo recebendo portador não é muito humano. A pedagogia do ato e a forma de ressonância mostra que a presidente entendeu a importância do conceito. Logo depois, ela apresentou alguns resultados do Plano Viver sem Limite e destacou que um país desenvolvido deve respeitar as pessoas com deficiência com igualdade de oportunidades.
Pessoa com Deficiência é o termo adotado desde a Convenção da ONU dos Direitos da PcD de 2006. O consultor de Inclusão Social, Romeu Kazuni destaca, num dos seus artigos, que este é o único termo correto, válido definitivamente em todos os tempos e espaços, sendo que a razão disto reside no fato de que, a cada época, são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes em cada sociedade.
A conferência nacional aprovou 396 propostas e grande parte da mídia brasileira deu destaque ao fato acontecido com a Dilma. Esta é a importância que a imprensa dá a Conferência e as pessoas com deficiência? Um ano inteiro de luta e trabalho não pode ser tratado desta forma. Que possamos avançar em conquistas, como a Arena do Grêmio (que deve ser copiada por todos os demais estádios do país), e que a valorização da diferença seja respeitada de forma plena, com a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência na vida diária.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Amigos na Conferência

Se a Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência não esteve das melhores, o maior legado que pude receber de lá foi os amigos que fiz. Primeiramente, foram os cearenses que fizeram o city tour por Brasília: Markus (legítimo cearense: humorista nato); Tarcísio e Katiuscia (grande casal!); David; Renatinha; Maria Luiza; Giselda (esqueci de alguém?). Na mesma excursão, conheci melhor o Rodrigo, grande figura. Teve também a Eler e Silna, entre outros gaúchos. Fui muito legal o nosso tour.
Depois, conheci a Marliene (grandes momentos, né Pequena?); a Teresinha; a Maria, a Ida. Devo estar esquecendo de alguém...
Teve também a gauchada querida Angela; Adair; Edy (meu companheiro de quarto); Sandra; Lizandra; Robson; Roger; Prudêncio; Agabriel; as Yaras; Ieda e Isabelle, etc.
Mas é impossível esquecer do pessoal de apoio. Principalmente, a Mirely; Raquel; Iolanda e Juscy. Tudo isso recheado pelos amigos inseparáveis Liza e Jorge Amaro.
Pessoas que conheci e que, felizmente, conquistei a amizade. Amizade que estou alimentando através das redes sociais, principalmente o facebook. Espero encontrá-los novamente, em outro momento.
Mais uma vez, me desculpem se esqueci. É porque, realmente, foram muitos amigos que ganhei.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Impressões sobre Brasília

Por uma destas coincidências da vida, conheci Brasília na semana que Niemeyer morreu. E quase não consegui conhecê-la da maneira que gostaria. Como disse no post anterior (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/12/diario-da-conferencia-de-brasilia.html), na segunda-feira, 1º dia do evento, na parte da manhã, só tínhamos o credenciamento para fazer. O evento, propriamente dito, começava no fim da tarde. Portanto, tínhamos uma parte da manhã e outra da tarde para fazer o passeio.
Logo consegui me enturmar com um pessoal do Ceará que estava com a mesma intenção que eu. O duro foi achar um taxista ou guia turístico. E conversa daqui, conversa de lá e nada. Demoramos tanto que resolvemos almoçar. E o almoço foi legal porque serviu para me enturmar com os cearenses.
Na parte da tarde, as coisas começaram enroladas mas, dessa forma, conseguimos mais gente (do Rio Grande do Sul) para fechar a van e começar o passeio. Quando iniciamos, já passava das duas da tarde.
Começamos pelo Memorial JK, que estava fechado; passamos pela Esplanada dos Ministérios; Biblioteca Nacional; Catedral (que é lindíssima. Para mim, a melhor obra do falecido); Praça dos Três Poderes (Congresso, STF e Palácio do Planalto); Palácio do Jaburu e Palácio da Alvorada; Lago Paranoá e Ponte JK (espero não ter esquecido de nada).
Confesso que não gostei da arquitetura de Brasília. Dizem que Niemeyer era o homem das curvas mas achei tudo muito reto e parecido. Parece um monte de caixões. As curvas são poucas. Tudo de concreto e com um aspecto muito velho, o que acentuado é pela terra vermelha, típica da região. Quando as curvas aparecem, como na Catedral, a obra é linda. Mas, infelizmente, elas pouco fazem parte da obra de Niemeyer...
Um aspecto lastimável em que não citei ainda (nem no post anterior) e que até a presidente Dilma Rousseff falou no seu discurso (meu Deus, como fui egoísta) foi a falta de acessibilidade dos hotéis de Brasília. Para a minha colega de delegação Silna entrar com a cadeira de rodas no banheiro, tiveram que tirar a porta.
Pra não dizer que não falei de flores, um detalhe extremamente positivo de Brasília é a natureza. Tem áreas verdes por todos os lados. Gostei do astral do povo de lá. Achei eles muito parecidos com os nordestinos, inclusive no jeito de falar.
No post antes da viagem (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/estou-indo-pra-brasilia.html), eu disse que iria para a capital federal ver se Renato Russo tinha razão. Mas não tem, não. A não ser que ele tenha se referido ao fato de Brasília ser uma cidade de pouco trabalho e bons empregos. É o que dizem: Brasília funciona de terça a quinta. Pude comprovar isso. Viemos embora na sexta de manhã e o aeroporto estava lotado. Tanto que tivemos que chegar com muito mais antecedência do que o normal para fazer o check-in. Lamentável. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diário da Conferência de Brasília

Agora que já escrevi um post dando um resumo da conferência, posso falar dela com mais calma. Sabem como é, mania de jornalista. Não posso deixar esfriar o fato. Então, vamos contar o dia a dia do evento...

Depois de uma viagem tranquila mas cansativa no domingo (foram quatro horas esperando conexão em Congonhas), chegamos no hotel e só tinha um funcionário para fazer a separação dos quartos. Resultado: mais uma longa espera. Pelo menos, botaram o Gre-Nal na televisão para nós assistirmos. Para piorar, me dei mal na divisão dos quartos pois estava previsto para eu ficar com uma colega e me botaram com o Edi, o tio Sukita.

Na segunda pela manhã, fomos ao local do evento (muito bem organizado, por sinal) para fazer o credenciamento e receber parte do material (na verdade, nesta hora, só recebemos a camiseta). Tinha a tenda (vejam as fotos no meu facebook), onde recebíamos esses materiais e eram realizadas as atrações culturais, e o centro de eventos, onde eram realizados os trabalhos (palestras, discussões e plenárias, além da abertura da conferência).

Aí, começamos a correr atrás de um city tour para fazer por Brasília. E não foi fácil. Começamos a especular de manhã mas demoramos tanto para conseguir alguém que resolvemos almoçar e deixamos esse assunto para tarde. Almocei com o pessoal do Ceará (que também tinha a mesma intenção que eu) e acabei conhecendo um pessoal maravilhoso: Markus, Tarcísio, Katiuscia, Maria Luiza, Renatinha, Giselda, entre outros. Um pessoal caloroso e divertido.

O city tour foi ótimo mas deixarei vocês na curiosidade. Falarei sobre Brasília e seus pontos turísticos em outro post.

Voltamos do passeio para a abertura, que atrasou bastante. Na abertura, um monte de gente na mesa mas as mais importantes eram Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil; Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Maria do Rosário, Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos; Moisés Bauer, presidente do Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e Antonio José Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos da PcD. Gostei da fala da Gleisi, que me pareceu inteirada das nossas necessidades.

Depois da janta, um momento mágico: show dos Paralamas do Sucesso. Que showzaço! Eles não perdem o pique nunca, mantem a apresentação sempre em alto astral. E o legal foi poder ver tudo isso de perto, sentado. Também é digno de registro o fato do show ter dois intérpretes de libras.

Na manhã seguinte, outro grande momento da Conferência: o discurso da Presidente Dilma Rousseff. Ao contrário do que foi veiculado na imprensa e as pessoas acabaram pensando, Dilma não foi vaiada quando nos chamou de portadores de deficiência. O que houve foram apenas apupos no sentido de chamá-la a atenção. Tanto as vaias não aconteceram que o discurso terminou no maior clima eleitoral com gritos de “olê, olê, olá Dilma, Dilma”. Aliás, os participantes do evento ficaram indignados com o que saiu na imprensa.

Á tarde, aconteceu a parte que muitos delegados não gostam: a votação do regimento interno da conferência, onde o povo quer discutir até as vírgulas do texto. No final dessa tarde, começamos a se dividir nos grupos. É óbvio que fui para o grupo da comunicação. Primeiro, vieram as palestras. Num primeiro momento, falas de bom nível mas os palestrantes tiveram que ir embora mais cedo. Depois, botaram uma deficiente auditiva severa para palestrar e aí tivemos dificuldade para entender. A última menina que palestrou falou muito rápido. Saímos um tanto frustrados.

No outro dia de manhã, discutimos as propostas para levar para a plenária final. Como eram poucas propostas (além de serem repetidas e mal escritas) e um número pequeno de participantes, terminamos rápido o serviço. Consegui mudar uma proposta do Paraná que pedia close caption (legendas) na TV. Eles separam por segmento: novela; programas; filmes; jornais e seriados. Só que, fazendo desta maneira, eles excluiriam, por exemplo, a programação esportiva. Então, uniformizei o discurso: closed caption em toda a programação das redes de TV aberta e a cabo. Minha ideia passou com total apoio.

Á tarde, depois de um pequeno temporal, fui na Torre da TV junto com a Marliene ver a paisagem de Brasília.

Na plenária final, eram mais de 400 propostas, além de 120 moções. Como era muita coisa, não foram aceitos “retoques” no texto, o que gerou protestos. Ou se aprovava a proposta ou se descartava-a por completo. A plenária começou super atrasada e com confusão: um senhor quis ir em direção a mesa organizadora aos berros por causa da mudança no regimento mas foi contido. Quando era pedido um destaque, a gente votava num aparelhinho que lembra àquele utilizado no Faustão para a Dança dos Famosos ou Se Vira nos 30 o que faríamos com a proposta. Tudo muito cansativo até que sair para dar uma caminhada e aconteceu aquele episódio com o Moisés Bauer referido no post anterior: http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/12/3-conferencia-do-direitos-da-pessoa-com.html . Aí desanimei de vez.

A melhor coisa dessa conferência foi a organização e o pessoal de apoio. Eram, na sua maioria, jovens, extremamente treinados e sabiam lidar com a PcD. Prestativos, tinham a iniciativa de nos atender. Sempre vinham até a gente. Só para contar duas historinhas rápidas. Na última noite, fui jantar e o restaurante estava relativamente vazio. Peguei um prato e fui me servir. Nesse meio tempo, três pessoas do apoio vieram se oferecer para me servir ou para carregar meu prato. Fantástico! Depois, fui descer uma escada pelo corrimão e um menino veio correndo para ajudar. Fiz amizade com alguns do apoio e falo com algumas dessas meninas pelo facebook. Saudades!

A atuação da delegação do Rio Grande do Sul foi aquilo que normalmente se espera dos gaúchos: um povo guerreiro, dedicado e qualificado. A gauchada lutou até o fim para conquistar os seus objetivos. E, como sempre, formou uma família.

Na volta, entrei logo no ônibus que nos levaria de volta ao aeroporto. Quando fui pegar a minha mala para despachar, cadê a querida? Só sobrou uma mala do pessoal de Carazinho (tinha um selo identificando). E para achar a pessoa? Foi um suplício! Há quase duas horas em pé e cansado, já estava pensando em despachar aquela mala mesmo e desfazer a confusão quando chegasse em Porto Alegre. Até que, aos 45 do 2º tempo, encontraram a “ladra” da mala: a Neli. Detalhe: a minha mala era bem menor e tinha um laço exatamente para identificar. Mas, como diz o ditado, desgraça pouca é bobagem. Como estava com as pernas pesando uma tonelada cada uma, quis aproveitar ao máximo antes do voo para ficar sentado. Quando estava pensando em entrar no avião, veio um aviso de que um deficiente visual tinha esquecido uma mochila que ganhamos na conferência no Raio X. Como não adianta pedir para um cego correr atrás disso e como eu era o último a entrar no avião, lá foi o bobo aqui correr atrás da tal mochila. Quando cheguei no Raio X, uma mulher já tinha pego a mochila. E a minha “felicidade” só aumentava.

Quando entrei no avião, uma das nossas colegas de delegação pegou o meu lugar para ficar ao lado da irmã cega. Não bastasse o fato dela não ter permitido permissão para isso, ela me entregou as passagens das duas e pediu para eu procurar a aeromoça para conseguir um lugar para mim. Como se dissesse “te vira”. Para terminar, no final da viagem, ela ainda ficou tirando sarro com piadinhas do tipo “pelo menos, a aeromoça não te botou no bagageiro”. É dose!

Mas para terminar este relato de viagem, posso dizer que o saldo foi extremamente positivo. Como disse no post anterior, o nível do evento poderia ter sido melhor mas fiz muitos amigos e adquiri conhecimento. No próximo tópico, falo sobre Brasília.











terça-feira, 11 de dezembro de 2012

3ª Conferência do Direitos da Pessoa com Deficiência

Pois é, minha gente, apesar de ter voltado na sexta-feira de Brasília, só agora estou conseguindo escrever sobre a conferência. A experiência foi magnífica apesar do nível do evento ter ficado bem abaixo disso. Conheci Brasília, adquiri conhecimento e, principalmente, fiz amigos.
Como eu temia e deixei registrado aqui (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/estou-indo-pra-brasilia.html), o evento foi pouco dinâmico com muitas propostas repetidas e mal-escritas. Para piorar, conversei com o Moisés Bauer, presidente do Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência). Ele me disse que a conferência pouco trará de resultados práticos porque o conselho não tem força para peitar os ministérios já que ele é "menos" do que um ministério. Aquilo que discutimos são apenas propostas. O conselho não tem como forçar um ministério a fazer essas propostas virarem leis. Me senti um bobo quando ouvi isso.Você estuda o assunto, discute, briga num evento que, no fundo, pouco vale. Talvez o ideal seja a implantação de um ministério da pessoa com deficiência.
O ponto extremamente positivo foi a organização da conferência. Colocaram um pessoal de apoio maravilhoso para nos atender. Só faltaram nos carregar no colo.
Aos poucos, vou contando os detalhes da conferência tintim por tintim.