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quinta-feira, 22 de março de 2012

Vamos consertar nossas calçadas?

Quando saímos de casa e precisamos chegar no trabalho; escola ou faculdade, ou quando temos que ir a qualquer outro compromisso, invariavelmente passamos pelas calçadas. Os passeios públicos são parte importante de nossas vidas e, infelizmente, parece que poucas pessoas perceberam isso pois não mantém as calçadas que estão sob sua responsabilidade em bom estado de conservação. Os nossos passeios são péssimos e não é obrigação da prefeitura fazer este tipo de serviço.

As calçadas com buracos e piso irregular não são um problemas apenas para pessoas com algum tipo de deficiência, como eu. Um passeio público bem conservado ajuda os idosos; os bebês que estão nos seus carrinhos; as mulheres que estão de salto alto; os homens que precisam carregar peso. Enfim, toda a população usa e é beneficiada.

Por que as pessoas procuram conservar as suas moradias apenas do portão para dentro? Por que não cuidam dos passeios públicos da mesma maneira que fazem com os seus carros? Torço para que, um dia, a conservação da calçada seja considerada na valorização dos imóveis.

Porto Alegre, no ano passado, lançou uma campanha chamada “Eu Curto. Eu Cuido” e uma das ações do movimento é a conservação das calçadas. Se a sua cidade não tem normas para o conserto do passeio público, no site da campanha (eucurtoeucuido.com.br) foi criado um guia que ensina quais as condições para você ter uma calçada de boa qualidade e acessível. Encare esse conserto como um investimento e não como um gasto.

No dia 29 de fevereiro, o prefeito da capital, José Fortunati, escreveu um artigo neste espaço e concluiu dizendo que cuidar das calçadas é um sinal de amor pela cidade. Ousarei ir um pouco além do prefeito. Afirmo que cuidar de sua calçada é um ato de amor por si próprio e pela sua família.

domingo, 11 de março de 2012

Mais um artigo do Jorge Amaro no Correio do Povo

Consegui colocar outro artigo do Jorge no Correio do Povo. Aí vai o texto:


Violência contra pessoas com deficiência: basta!


Recentemente, ocorreram mais dois casos de violência contra pessoas com deficiência (PCD) no RS, agora atingindo crianças. Uma, com síndrome de Down, foi impedida de frequentar aulas de natação, em Porto Alegre, por não ser "normal", e a outra, com uma doença rara, foi agredida pela auxiliar de enfermagem... que deveria zelar por sua saúde, em Viamão.

Os dados internacionais da Organização Mundial de Saúde sobre violência em relação às PCDs revelam que, em alguns países, um quarto desse público sofre maus-tratos. Além disso, pesquisas mostram que a violência praticada contra PCDs é maior que em relação às pessoas sem deficiência. Observa-se que essa prática está associada a fatores sociais, culturais e econômicos da sociedade que vê a deficiência como algo negativo. Notícias das promotorias de defesa de PCDs revelam que quem tem deficiência intelectual está mais vulnerável a agressões. O Brasil não possui esses dados.

Conforme a psicóloga Lúcia Williams, "a PCD encontra-se em uma posição de vulnerabilidade em relação a que não tem deficiência, sendo frequentemente marcante a assimetria das relações de poder na interação entre ambos. Tal relação é multiplicada, conforme a severidade de cada caso, sendo ampliada se a PCD pertencer a outro grupo de risco, como, por exemplo, se for mulher ou criança".

Os tipos de violência que acontecem com os PCDs são os mesmos de outras áreas e dizem respeito à atitude do Estado quando não promove os direitos garantidos por leis: violência familiar, traduzida em negligência, maus-tratos físicos e psicológicos e exploração sexual e financeira; violência gerada por falta de informação e desconhecimento de leis que asseguram direitos; além daquela perpetrada pela omissão de profissionais de atendimento assistencial e de saúde que não denunciam casos de negligência e maus-tratos unidos no não reconhecimento da PCD como um sujeito que tem direitos.

A violência contra a PCD pode atingir todos os direitos. Assim, o Estado é obrigado a enfrentá-la, como está previsto na Convenção da ONU. Precisamos dar um basta nisso, e o primeiro passo é a articulação de ações entre os órgãos de governo, junto com o Ministério Público e os Conselhos de Direitos. Além disso, é necessário que aconteçam mudanças na sociedade, de uma concepção excludente para o acolhimento das diferenças. Desafios audaciosos, mas urgentes!


vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência