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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Feliz 2013!


Esta é a última postagem deste blog em 2012. Blog que foi uma das minhas maiores alegrias neste ano que tá terminando. Com ele, conheci pessoas; ganhei amigos; atravessei países e continentes; tive meu ego massageado com as mensagens do leitores e, evidentemente, adquiri conhecimento.
Como contei na 100ª postagem (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/100-postagem.html), comecei muito devagar por achar que não escrevo bem. Em maio deste ano, tudo mudou. Tive algumas respostas positivas e resolvi investir nesta vida de blogueiro. Segundo as estatísticas do Blogspot, o número de visualizações mais do que triplicou. Países visitantes são 33, além do Brasil. A saber: Alemanha; Estados Unidos; Rússia; Gana; Letônia; Portugal; República Tcheca; Canadá; Reino Unido; Honduras; Uruguai; Colômbia; Israel; Barbados; Japão; Arábia Saudita; Emirados Árabes; Polônia; Malásia; Nicarágua; Espanha; Senegal; Índia; Austrália; Iraque; Argentina; Nova Zelândia; Chile; Bélgica; Ucrânia; França; Itália e Suécia.
Quando eu imaginar, um dia, que teria um texto meu lido no outro lado do mundo? Fantástico! Vocês podem me dizer: "mas, Gustavo, tem blog muito mais acessado do que o teu". Não quero nem saber! Estes que eu citei leram o que escrevi e, portanto, me deram uma forma de carinho.
Outro momento muito legal de 2012 foi a Conferência Nacional dos Direitos da PcD em Brasilia. Como já citei outras vezes, não pelo nível do evento, que achei baixo mas por ter conhecido Brasília e, principalmente, pela grande quantidade de amigos que fiz lá.
Falando em amigos, deixa eu citar alguns que marcaram das mais variadas formas durante o ano: Gisele; Marliene; Liza;.Jorge; Osorio; Naliny; Lucilene; Alex, Silvinha... Faltam vários.
No final das contas, terminei 2012 sendo um cara mais inclusivo, e, principalmente, mais feliz. Minha resolução para 2013 é continuar nessa toada.  

Artigo do Jorge Amaro, desta vez publicado

Hoje, consegui que um texto do Jorge Amaro fosse publicado no Correio do Povo. Acompanhem:


                    Políticas para pessoas com deficiência: é hora de fazer


No dia 1° de janeiro, assumem os prefeitos e vice-prefeitos eleitos. Muitos são os desafios para garantir políticas públicas á população. Recentemente, ocorreu a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (PcD), sendo a primeira após a ratificação da Convenção da ONU dos Direitos da PcD, documento que reconhece que a deficiência não está na pessoa, mas sim nas barreiras que a sociedade oferece, impossibilitando uma vida em igualdade de oportunidades com os outros indivíduos.

O relatório final do evento apresentou 400 propostas em muitas áreas que servirão de subsídio aos futuros gestores. Todas de inegável importância para que a qualidade de vida das PcDs supere a atual exclusão. Gostaria de destacar uma, que considero a que garante a materialidade do principal lema das PcDs e mostra o seu protagonismo, o “nada sobre nós sem nós”.

O eixo padrão de vida e proteção social estabeleceu, como meta, fortalecer a política da PcD, tendo, por base, a criação de conselhos em nível estadual e municipal como requisito para acesso a recursos de programas sociais voltados a estes públicos. O conselho é o espaço onde as PcDs tem voz. No RS, são pouco mais de 50 em atividade. Depois, vem a criação dos fundos junto aos conselhos, garantindo repasse financeiro das três esferas de governo para ações de capacitação que atendam as PcDs. Terceiro, estabelecer percentual de repasse de, no mínimo, 1% do orçamento de cada esfera do governo para estes fundos bem como garantir que as multas aplicadas pelo não cumprimento da legislação de acessibilidade sejam revertidas para estes meios.

Associado a isto, foi aprovada a moção de apoio à criação do Sistema Nacional Articulado de Políticas para PcDs, que aponta a criação de órgãos gestores, que podem ser secretarias, diretorias, assessorias ou coordenadorias para a criação de políticas públicas para os deficientes. Há apenas sete espaços municipais no RS.

São necessidades para que avancemos na construção de um país democrático, que respeite as diferenças e promova a acessibilidade como direito de todos. Os planos Viver e RS sem Limite precisam destas estruturas para sair do papel e fazer com que as ações se enraízem por todos recantos deste estado e do país. Não podemos negar este direito às PcDs. Mais do que uma responsabilidade legal, é um dever moral.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quem é Raul Cohen?

Muitos não sabem mas Porto Alegre tem a sua Secretaria de Acessibilidade e Inclusão Social desde 2005. O primeiro secretário foi Tarcízio Cardoso. Ele tem paralisia cerebral e fez um trabalho bem interessante quando começou a discutir o Plano Diretor de Acessibilidade do município, o primeiro no país (http://pt.scribd.com/doc/87046907/Republicacao-Plano-Diretor-de-Acessibilidade).
Depois acredito que o atual prefeito José Fortunati quis dar um peso mais político á pasta e colocou Paulo Brum como secretário. Brum é cadeirante e já foi vereador e deputado estadual. Com ele, o Plano Diretor foi aprovado e sancionado.
Paulo Brum foi candidato a vereador e portanto se afastou da pasta. No lugar dele, entrou Aracy Ledo, que não é deficiente mas é muito envolvida na área das PcDs. Tanto que, antes de assumir a secretaria, ela era presidente da Fenapaes, Federação Nacional das Apaes.
Aí é que entra a minha reclamação e o porquê de eu estar fazendo este texto. Fortunati foi reeleito e descobri, outro dia, que o novo secretário municipal de acessibilidade e inclusão social é Raul Cohen. Confesso que não conheço este senhor e, portanto, fui buscar informações a respeito dele. As mais claras vieram do próprio site da prefeitura. Lá vai: "Raul Fernando Cohen é vice-presidente da ONG Brasil Sem Grades, organização que tem como missão despertar a consciência da população brasileira através do desenvolvimento social e de ações voltadas para o combate às causas da criminalidade. Formado em Direito e Administração de Empresas, é vice-presidente da Federasul, empresário e consultor da área de eventos. Foi diretor da Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) e membro do Conselho Diretor da Confederação Latino Americana de Empresas de Eventos (Cocal). Fundador e Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação Porto Alegre Congressos e Eventos Porto Alegre Convention & Visitors Bureau. É Coordenador da Divisão Temática de Segurança Pública da Agenda 2020, movimento que organiza propostas de interesse da sociedade gaúcha".
A pergunta é: que trabalho este senhor fez em prol das pessoas com deficiência? Quando ele trabalhou com este público? Como você mesmo pode ver no currículo dele, não há nenhum trabalho do futuro secretário em relação ao nosso público. Nós, pessoas com deficiência temos um lema ("Nada sobre nós sem nós") e esta frase não é a toa. Temos nossas especifidades e sabemos, melhor do que ninguém, das nossas dificuldades. Por isso, queremos o nosso espaço na sociedade, inclusive na esfera política.
A verdade é que Fortunati, em nome da governança, quis acomodar o PP no seu secretariado (Cohen é do PP e fez pouco mais de mil votos na última eleição e ficou na suplência de vereadores). Enquanto isso, no próprio PDT, temos um vereador que tem amputação num dos braços, Luciano Marcantônio, e que assumirá a secretaria de Direitos Humanos. Não consigo entender. Uma pena é que as pessoas com deficiência de Porto Alegre serão cobaias dessa experiência.   

domingo, 23 de dezembro de 2012

Historinha na Farmácia

Essa história, eu já contei no facebook mas como lá as coisas se perdem entre os vários status; notificações e recados que botam na sua página, contarei tudo de novo.
Há alguns dias, precisei comprar uns remédios numa farmácia perto de casa. Notei que eles botam um selo (propaganda da farmácia) em cima do escrito em braille nas caixas dos remédios. E olha que tem espaço suficiente na caixa para colocar o tal do selo...
Anteontem, precisei voltar lá. Aí, tomei coragem e resolvi pedir que eles não fizessem mais aquilo. Resposta da atendente: 
- É que quase ninguém procura (o braille). 
Minha resposta: 
- Algum motivo o braille tem de estar ali. Acabou-se a discussão. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Artigo do Jorge Amaro não publicado

Pois é, minha gente. Nem todo dia é dia santo. Ao contrário de outras vezes, não consegui publicar o último artigo do Jorge Amaro. Mas gostei bastante do texto e por isso publico aqui. Lá vai:


                                                     A Arena e a vaia

O futebol brasileiro pode ser dividido em antes e depois da Arena do Grêmio, inaugurada recentemente? Se observarmos o quesito acessibilidade universal, sim, pois é o primeiro estádio de uma nova geração onde este aspecto foi respeitado, num estado marcado pela ausência da acessibilidade e uma forte discriminação em relação a pessoa com deficiência (PcD). Assim como os jogos paralímpicos de 2016, a Copa também dará uma importante contribuição a disseminação de ações positivas relacionadas à PcD, que hoje representam no Rio Grande do Sul, 2,5 milhões de pessoas.
No dia 3 de dezembro, comemoramos o dia internacional da pessoa com deficiência e o assunto da semana foi a suposta vaia recebida pela presidente Dilma Rousseff na III Conferência Nacional dos Direitos da PcD. No seu discurso, ela pronunciou a palavra “portador” e a plenária manifestou-se. A presidente corrigiu-se, dizendo que o termo recebendo portador não é muito humano. A pedagogia do ato e a forma de ressonância mostra que a presidente entendeu a importância do conceito. Logo depois, ela apresentou alguns resultados do Plano Viver sem Limite e destacou que um país desenvolvido deve respeitar as pessoas com deficiência com igualdade de oportunidades.
Pessoa com Deficiência é o termo adotado desde a Convenção da ONU dos Direitos da PcD de 2006. O consultor de Inclusão Social, Romeu Kazuni destaca, num dos seus artigos, que este é o único termo correto, válido definitivamente em todos os tempos e espaços, sendo que a razão disto reside no fato de que, a cada época, são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes em cada sociedade.
A conferência nacional aprovou 396 propostas e grande parte da mídia brasileira deu destaque ao fato acontecido com a Dilma. Esta é a importância que a imprensa dá a Conferência e as pessoas com deficiência? Um ano inteiro de luta e trabalho não pode ser tratado desta forma. Que possamos avançar em conquistas, como a Arena do Grêmio (que deve ser copiada por todos os demais estádios do país), e que a valorização da diferença seja respeitada de forma plena, com a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência na vida diária.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Amigos na Conferência

Se a Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência não esteve das melhores, o maior legado que pude receber de lá foi os amigos que fiz. Primeiramente, foram os cearenses que fizeram o city tour por Brasília: Markus (legítimo cearense: humorista nato); Tarcísio e Katiuscia (grande casal!); David; Renatinha; Maria Luiza; Giselda (esqueci de alguém?). Na mesma excursão, conheci melhor o Rodrigo, grande figura. Teve também a Eler e Silna, entre outros gaúchos. Fui muito legal o nosso tour.
Depois, conheci a Marliene (grandes momentos, né Pequena?); a Teresinha; a Maria, a Ida. Devo estar esquecendo de alguém...
Teve também a gauchada querida Angela; Adair; Edy (meu companheiro de quarto); Sandra; Lizandra; Robson; Roger; Prudêncio; Agabriel; as Yaras; Ieda e Isabelle, etc.
Mas é impossível esquecer do pessoal de apoio. Principalmente, a Mirely; Raquel; Iolanda e Juscy. Tudo isso recheado pelos amigos inseparáveis Liza e Jorge Amaro.
Pessoas que conheci e que, felizmente, conquistei a amizade. Amizade que estou alimentando através das redes sociais, principalmente o facebook. Espero encontrá-los novamente, em outro momento.
Mais uma vez, me desculpem se esqueci. É porque, realmente, foram muitos amigos que ganhei.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Impressões sobre Brasília

Por uma destas coincidências da vida, conheci Brasília na semana que Niemeyer morreu. E quase não consegui conhecê-la da maneira que gostaria. Como disse no post anterior (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/12/diario-da-conferencia-de-brasilia.html), na segunda-feira, 1º dia do evento, na parte da manhã, só tínhamos o credenciamento para fazer. O evento, propriamente dito, começava no fim da tarde. Portanto, tínhamos uma parte da manhã e outra da tarde para fazer o passeio.
Logo consegui me enturmar com um pessoal do Ceará que estava com a mesma intenção que eu. O duro foi achar um taxista ou guia turístico. E conversa daqui, conversa de lá e nada. Demoramos tanto que resolvemos almoçar. E o almoço foi legal porque serviu para me enturmar com os cearenses.
Na parte da tarde, as coisas começaram enroladas mas, dessa forma, conseguimos mais gente (do Rio Grande do Sul) para fechar a van e começar o passeio. Quando iniciamos, já passava das duas da tarde.
Começamos pelo Memorial JK, que estava fechado; passamos pela Esplanada dos Ministérios; Biblioteca Nacional; Catedral (que é lindíssima. Para mim, a melhor obra do falecido); Praça dos Três Poderes (Congresso, STF e Palácio do Planalto); Palácio do Jaburu e Palácio da Alvorada; Lago Paranoá e Ponte JK (espero não ter esquecido de nada).
Confesso que não gostei da arquitetura de Brasília. Dizem que Niemeyer era o homem das curvas mas achei tudo muito reto e parecido. Parece um monte de caixões. As curvas são poucas. Tudo de concreto e com um aspecto muito velho, o que acentuado é pela terra vermelha, típica da região. Quando as curvas aparecem, como na Catedral, a obra é linda. Mas, infelizmente, elas pouco fazem parte da obra de Niemeyer...
Um aspecto lastimável em que não citei ainda (nem no post anterior) e que até a presidente Dilma Rousseff falou no seu discurso (meu Deus, como fui egoísta) foi a falta de acessibilidade dos hotéis de Brasília. Para a minha colega de delegação Silna entrar com a cadeira de rodas no banheiro, tiveram que tirar a porta.
Pra não dizer que não falei de flores, um detalhe extremamente positivo de Brasília é a natureza. Tem áreas verdes por todos os lados. Gostei do astral do povo de lá. Achei eles muito parecidos com os nordestinos, inclusive no jeito de falar.
No post antes da viagem (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/estou-indo-pra-brasilia.html), eu disse que iria para a capital federal ver se Renato Russo tinha razão. Mas não tem, não. A não ser que ele tenha se referido ao fato de Brasília ser uma cidade de pouco trabalho e bons empregos. É o que dizem: Brasília funciona de terça a quinta. Pude comprovar isso. Viemos embora na sexta de manhã e o aeroporto estava lotado. Tanto que tivemos que chegar com muito mais antecedência do que o normal para fazer o check-in. Lamentável. 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Diário da Conferência de Brasília

Agora que já escrevi um post dando um resumo da conferência, posso falar dela com mais calma. Sabem como é, mania de jornalista. Não posso deixar esfriar o fato. Então, vamos contar o dia a dia do evento...

Depois de uma viagem tranquila mas cansativa no domingo (foram quatro horas esperando conexão em Congonhas), chegamos no hotel e só tinha um funcionário para fazer a separação dos quartos. Resultado: mais uma longa espera. Pelo menos, botaram o Gre-Nal na televisão para nós assistirmos. Para piorar, me dei mal na divisão dos quartos pois estava previsto para eu ficar com uma colega e me botaram com o Edi, o tio Sukita.

Na segunda pela manhã, fomos ao local do evento (muito bem organizado, por sinal) para fazer o credenciamento e receber parte do material (na verdade, nesta hora, só recebemos a camiseta). Tinha a tenda (vejam as fotos no meu facebook), onde recebíamos esses materiais e eram realizadas as atrações culturais, e o centro de eventos, onde eram realizados os trabalhos (palestras, discussões e plenárias, além da abertura da conferência).

Aí, começamos a correr atrás de um city tour para fazer por Brasília. E não foi fácil. Começamos a especular de manhã mas demoramos tanto para conseguir alguém que resolvemos almoçar e deixamos esse assunto para tarde. Almocei com o pessoal do Ceará (que também tinha a mesma intenção que eu) e acabei conhecendo um pessoal maravilhoso: Markus, Tarcísio, Katiuscia, Maria Luiza, Renatinha, Giselda, entre outros. Um pessoal caloroso e divertido.

O city tour foi ótimo mas deixarei vocês na curiosidade. Falarei sobre Brasília e seus pontos turísticos em outro post.

Voltamos do passeio para a abertura, que atrasou bastante. Na abertura, um monte de gente na mesa mas as mais importantes eram Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil; Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Maria do Rosário, Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos; Moisés Bauer, presidente do Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e Antonio José Ferreira, secretário nacional de Promoção dos Direitos da PcD. Gostei da fala da Gleisi, que me pareceu inteirada das nossas necessidades.

Depois da janta, um momento mágico: show dos Paralamas do Sucesso. Que showzaço! Eles não perdem o pique nunca, mantem a apresentação sempre em alto astral. E o legal foi poder ver tudo isso de perto, sentado. Também é digno de registro o fato do show ter dois intérpretes de libras.

Na manhã seguinte, outro grande momento da Conferência: o discurso da Presidente Dilma Rousseff. Ao contrário do que foi veiculado na imprensa e as pessoas acabaram pensando, Dilma não foi vaiada quando nos chamou de portadores de deficiência. O que houve foram apenas apupos no sentido de chamá-la a atenção. Tanto as vaias não aconteceram que o discurso terminou no maior clima eleitoral com gritos de “olê, olê, olá Dilma, Dilma”. Aliás, os participantes do evento ficaram indignados com o que saiu na imprensa.

Á tarde, aconteceu a parte que muitos delegados não gostam: a votação do regimento interno da conferência, onde o povo quer discutir até as vírgulas do texto. No final dessa tarde, começamos a se dividir nos grupos. É óbvio que fui para o grupo da comunicação. Primeiro, vieram as palestras. Num primeiro momento, falas de bom nível mas os palestrantes tiveram que ir embora mais cedo. Depois, botaram uma deficiente auditiva severa para palestrar e aí tivemos dificuldade para entender. A última menina que palestrou falou muito rápido. Saímos um tanto frustrados.

No outro dia de manhã, discutimos as propostas para levar para a plenária final. Como eram poucas propostas (além de serem repetidas e mal escritas) e um número pequeno de participantes, terminamos rápido o serviço. Consegui mudar uma proposta do Paraná que pedia close caption (legendas) na TV. Eles separam por segmento: novela; programas; filmes; jornais e seriados. Só que, fazendo desta maneira, eles excluiriam, por exemplo, a programação esportiva. Então, uniformizei o discurso: closed caption em toda a programação das redes de TV aberta e a cabo. Minha ideia passou com total apoio.

Á tarde, depois de um pequeno temporal, fui na Torre da TV junto com a Marliene ver a paisagem de Brasília.

Na plenária final, eram mais de 400 propostas, além de 120 moções. Como era muita coisa, não foram aceitos “retoques” no texto, o que gerou protestos. Ou se aprovava a proposta ou se descartava-a por completo. A plenária começou super atrasada e com confusão: um senhor quis ir em direção a mesa organizadora aos berros por causa da mudança no regimento mas foi contido. Quando era pedido um destaque, a gente votava num aparelhinho que lembra àquele utilizado no Faustão para a Dança dos Famosos ou Se Vira nos 30 o que faríamos com a proposta. Tudo muito cansativo até que sair para dar uma caminhada e aconteceu aquele episódio com o Moisés Bauer referido no post anterior: http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/12/3-conferencia-do-direitos-da-pessoa-com.html . Aí desanimei de vez.

A melhor coisa dessa conferência foi a organização e o pessoal de apoio. Eram, na sua maioria, jovens, extremamente treinados e sabiam lidar com a PcD. Prestativos, tinham a iniciativa de nos atender. Sempre vinham até a gente. Só para contar duas historinhas rápidas. Na última noite, fui jantar e o restaurante estava relativamente vazio. Peguei um prato e fui me servir. Nesse meio tempo, três pessoas do apoio vieram se oferecer para me servir ou para carregar meu prato. Fantástico! Depois, fui descer uma escada pelo corrimão e um menino veio correndo para ajudar. Fiz amizade com alguns do apoio e falo com algumas dessas meninas pelo facebook. Saudades!

A atuação da delegação do Rio Grande do Sul foi aquilo que normalmente se espera dos gaúchos: um povo guerreiro, dedicado e qualificado. A gauchada lutou até o fim para conquistar os seus objetivos. E, como sempre, formou uma família.

Na volta, entrei logo no ônibus que nos levaria de volta ao aeroporto. Quando fui pegar a minha mala para despachar, cadê a querida? Só sobrou uma mala do pessoal de Carazinho (tinha um selo identificando). E para achar a pessoa? Foi um suplício! Há quase duas horas em pé e cansado, já estava pensando em despachar aquela mala mesmo e desfazer a confusão quando chegasse em Porto Alegre. Até que, aos 45 do 2º tempo, encontraram a “ladra” da mala: a Neli. Detalhe: a minha mala era bem menor e tinha um laço exatamente para identificar. Mas, como diz o ditado, desgraça pouca é bobagem. Como estava com as pernas pesando uma tonelada cada uma, quis aproveitar ao máximo antes do voo para ficar sentado. Quando estava pensando em entrar no avião, veio um aviso de que um deficiente visual tinha esquecido uma mochila que ganhamos na conferência no Raio X. Como não adianta pedir para um cego correr atrás disso e como eu era o último a entrar no avião, lá foi o bobo aqui correr atrás da tal mochila. Quando cheguei no Raio X, uma mulher já tinha pego a mochila. E a minha “felicidade” só aumentava.

Quando entrei no avião, uma das nossas colegas de delegação pegou o meu lugar para ficar ao lado da irmã cega. Não bastasse o fato dela não ter permitido permissão para isso, ela me entregou as passagens das duas e pediu para eu procurar a aeromoça para conseguir um lugar para mim. Como se dissesse “te vira”. Para terminar, no final da viagem, ela ainda ficou tirando sarro com piadinhas do tipo “pelo menos, a aeromoça não te botou no bagageiro”. É dose!

Mas para terminar este relato de viagem, posso dizer que o saldo foi extremamente positivo. Como disse no post anterior, o nível do evento poderia ter sido melhor mas fiz muitos amigos e adquiri conhecimento. No próximo tópico, falo sobre Brasília.











terça-feira, 11 de dezembro de 2012

3ª Conferência do Direitos da Pessoa com Deficiência

Pois é, minha gente, apesar de ter voltado na sexta-feira de Brasília, só agora estou conseguindo escrever sobre a conferência. A experiência foi magnífica apesar do nível do evento ter ficado bem abaixo disso. Conheci Brasília, adquiri conhecimento e, principalmente, fiz amigos.
Como eu temia e deixei registrado aqui (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/11/estou-indo-pra-brasilia.html), o evento foi pouco dinâmico com muitas propostas repetidas e mal-escritas. Para piorar, conversei com o Moisés Bauer, presidente do Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência). Ele me disse que a conferência pouco trará de resultados práticos porque o conselho não tem força para peitar os ministérios já que ele é "menos" do que um ministério. Aquilo que discutimos são apenas propostas. O conselho não tem como forçar um ministério a fazer essas propostas virarem leis. Me senti um bobo quando ouvi isso.Você estuda o assunto, discute, briga num evento que, no fundo, pouco vale. Talvez o ideal seja a implantação de um ministério da pessoa com deficiência.
O ponto extremamente positivo foi a organização da conferência. Colocaram um pessoal de apoio maravilhoso para nos atender. Só faltaram nos carregar no colo.
Aos poucos, vou contando os detalhes da conferência tintim por tintim.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Estou indo pra Brasília...

No domingo, como vocês sabem, viajarei para a 3ª Conferência dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Claro que estou um pouco ansioso pois vou para um lugar que não conheço e passarei cinco dias com pessoas que eu não tenho tanta intimidade assim. Mas estou feliz.
Espero que esta conferência esteja mais dinâmica do que a municipal e a estadual, em que os participantes perderam muito tempo discutindo detalhes, principalmente o regimento, que é basicamente igual em todas as conferências.
Quero aproveitar para aprender e conhecer outras pessoas. E, de quebra, se possível, conhecer um pouco de Brasília. Segundo Renato Russo, neste país, lugar melhor não há. Veremos se ele tem razão.
Algum recado para a Dilma?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Texto do Jorge Amaro no Correio do Povo

Consegui publicar outro texto do Jorge Amaro no Correio do Povo. Este fala sobre os negros com deficiência. Aproveitem:


                                          Negritude e Deficiência: um debate necessário


Temos 45 milhões de pessoas com deficiência (PcDs) no Brasil, segundo dados dos IBGE. Quando aplicado o recorte étnico, identificamos 18% desta população formada por negros. Ou seja, algo em torno de 3,8 milhões de habitantes.

Conforme dados da pesquisa Derecho a la Educación de las Personas con Discapacidad en America Latina y Caribe, é uma preocupação dos países latinos identificar quem são e onde estão essas pessoas, bem como o tipo de deficiência. Existem poucas estatísticas disponíveis a este respeito mas é preciso considerá-las para o desenvolvimento de políticas para pessoas com deficiência. De acordo com dados do Banco Mundial, 82% das PcDs da região vivem na pobreza.

Segundo a pesquisa, quando analisada a incidência de deficiência e grupos étnicos, negros e índios são a maioria. Uma das pistas que sugerem isto relaciona-se ao baixo acesso destes grupos a direitos sociais, especialmente saúde e educação, bem como um processo histórico de segregação.

A edição 2009-2010 do relatório das Desigualdades Raciais no Brasil trouxe dados alarmantes sobre a condição de vida dos afrodescendentes brasileiros, conforme a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Conforme a pesquisa, afrodescendentes tem menos acesso à Previdência Social e, consequentemente, menor esperança de vida. Nos dados referentes a 2008, 44,7% dos auto declarados pretos ou pardos não estavam protegidos pela Previdência. Entre os brancos, esse índice caiu para 34,5%. Em todo o país, a expectativa de vida dos afrodescendentes era de 67,03 anos. Já entre os auto declarados brancos, esse número subiu para 73,13 anos.

Os dados do relatório também apontam programas governamentais de transferências de renda, como o Bolsa Família, como os principais responsáveis pela redução nas desigualdades sociais, sendo que 24% das famílias chefiadas por afrodescendentes (7,3 milhões) são cadastradas no programa.

O Brasil tem assumido importantes compromissos, tanto com relação à PcD bem como nas políticas de igualdade racial. Mas há ainda lacunas a serem superadas, especialmente no diálogo entre as diferenças, no sentido de romper as barreiras dos órgãos gestores, que limitam-se a produzir políticas desarticuladas. É o desafio da transversalidade, que aparece timidamente mas é imprescindível na construção de políticas que garantam direitos para todos.









segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Preparativos para a Conferência Nacional

Pois, é, gente. No domingo, estarei indo para Brasília para a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Já estou lendo as propostas dos colegas dos outros estados para o eixo Comunicação, do qual farei parte das discussões.
Para Brasília, os eixos foram desmembrados. Nas conferências estaduais, eram quatros eixos e agora aumentaram para nove. Na estadual, fiz do grupo Acessibilidade, Comunicação, Transporte e Moradia.
Aí, o problema é que poucas propostas estão voltadas para a comunicação. A maior parte são direcionadas para acessibilidade, transporte e moradia. E quando se fala em comunicação para PcDs, só se fala em acessibilidade na comunicação (braille, libras, etc.). O que é absolutamente necessário mas não se fala no conteúdo. É claro que entendo que a maioria das pessoas não entende da parte técnica da comunicação. Também sei que não podemos determinar que a imprensa fale mais na gente. Mas é uma discussão que vocês sabem que defendo de longa data. Por que não se fala mais nas pessoas com deficiência na mídia? O pessoal do Amazonas tem uma proposta interessante nesse sentido: criar e manter programas informativos em formatos acessíveis em todos os meios de comunicação que garantam a ampla divulgação dos direitos das pessoas com deficiência a toda a sociedade, incluindo informativos governamentais e a criação de sites acessíveis (http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/conferencia/amazonas, item 10). Goiás também uma proposta boa: que os meios de comunicação públicos e privados reserve um percentual dos horários dos programas para debater a temática da acessibilidade a fim de humanizar a sociedade (http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/conferencia/goias).
Da minha parte, pretendo dar a dica dei aqui no blog que para os colegas de conferência: http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/09/olha-eu-na-tv.html .
Vamos ver se mais propostas interessantes aparecem. Essa cultura da invisibilidade das pessoas com deficiência na mídia precisa ser mudada.


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

100ª postagem!

Pois é! Chegamos a 100ª postagem deste blog. Confesso que escrever para mim, que tenho problemas na parte motora do corpo, é mais difícil. Cansa as mãos. E confesso que, apesar de ser jornalista, não acho que tenho talento para escrever coisas pessoais. Tem gente que faz isso com toda a graça (principalmente as mulheres) e o texto flui naturalmente. Invejo quem faz isso. Acho o meu texto muito duro.
Mesmo assim, resolvi topar o desafio de desenvolver este blog. Contei iniciativas minhas como artigos que escrevi e reportagens em que sou protagonista e também abri espaço para eventos em que participei e artigos de amigos que editei e consegui que fosse publicado (principalmente, do Jorge Amaro). Enfim, confesso que é um blog personalista, egocêntrico mas acho que os blogs, como os antigos diários, são assim mesmo.
Eu comecei devagarzinho. Afinal, o medo ainda predominava. Como disse, achava que não sei escrever (e continuo achando). Até que em maio do ano passado, num post sobre o Bandeirão da Acessibilidade no Olímpico (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2011/05/campanha-nacional-de-acessibilidade-no.html), para a minha surpresa, eu recebi uma crítica-elogio. Veja lá. Alguém pediu para eu escrever com mais frequência. Opa! Descobri que alguém gostava do que eu escrevia. Isso foi uma injeção de ânimo.
A outra injeção de ânimo que recebi foi quando comecei a ver as estatísticas das visualizações do blog. No dia 16 de maio deste ano, fiz o primeiro post sobre isso e eram 1,1 mil visualizações de 12 países. Seguidores eram 32. Atualmente, são 73. Hoje, ultrapassamos 3 mil visitas de 33 nações, incluindo o Brasil. A saber: Alemanha; Estados Unidos; Rússia; Gana; Letônia; Portugal; República Tcheca; Canadá; Reino Unido; Honduras; Uruguai; Colômbia; Israel; Barbados; Japão; Arábia Saudita; Emirados Árabes; Polônia; Malásia; Nicarágua; Espanha; Senegal; Índia; Austrália; Iraque; Argentina; Nova Zelândia; Chile; Bélgica; Ucrânia; França e Itália. Aí, comecei a escrever com mais frequência, mantendo este ritmo em que estou hoje.
Outra detalhe que contribui para o relativo sucesso do blog é o nome dele. Acho que acertei nessa escolha porque acessibilidade é um assunto que todos do universo das pessoas com deficiência procuram.
Apesar de sentir uma inveja enorme de quem escreve bem e de quem tem muito mais visualizações do que eu, estou muito feliz com o meu blog. Feliz com o carinho que tenho recebido e feliz em poder disseminar um pouco do pequeno conhecimento que tenho. Hoje, não me acanho tanto em escrever textos mais longos porque sei que terei uma troca. Escrevo parcelado, em duas, três oportunidades mas escrevo. Dos 100 posts que estamos completando, 64 foram nesse ano. Vamos continuar esse relacionamento em que eu e você só temos a ganhar.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A acessibilidade de Criciúma

Gente, voltei do feriadão. Como sou funcionário público, no dia 28 de outubro, temos o dia do servidor público. Neste ano, caiu no domingo. E o nosso governador resolveu transferir esse feriado para o dia 16 de novembro, numa sexta-feira. Resultado: feriadão. Muito obrigado, governador Tarso Genro!
Aí, resolvi matar as saudades da minha amigona Denise e fui visitá-la em Criciúma, cidade que eu não conhecia.
A viagem foi maravilhosa. Participei da festa anual da família dela, que é um pessoal extremamente acolhedor. Parecia que eu era um parente. No segundo churrasco, já tinha convites e planos para voltar. Vi o jogo do Grêmio contra o Milionários na TV com uma turma de gremistas, coisas que poucas vezes fiz. Apesar da desclassificação, foi legal essa confraternização.
E, claro, conheci um pouco da cidade, que é muito legal. Aí, também tive uma surpresa agradável. Criciúma é mais acessível do que a média das cidades brasileiras. O piso das calçadas é mais liso e plano, parece lajotas (não sei o nome daquilo, confesso). Me chamou atenção a quantidade de piso tátil também. O único problema é que este piso direcional está colado no meio fio, o que é perigoso para os deficientes visuais. Tem bastante guias rebaixadas e rampas, algumas íngremes. Vi também ônibus adaptados. Pesquisando, descobri que Criciúma já fez três conferências municipais sobre os direitos das PcDs, inclusive uma em maio deste ano. Também vi barbaridades como poste em cima do piso tátil. Há muita coisa por ser feita. Mas, no geral, achei que Criciúma está á frente das outras cidades em acessibilidade.
A Denise me explicou que este trabalho de acessibilidade foi feito pelo atual prefeito Clésio Salvaro. Mas ele teve a sua candidatura a reeleição impugnada por denúncias de corrupção.
Espero que a futura prefeitura Romanna Remor continue este trabalho em Criciúma. Para o bem dos moradores e dos visitantes, como eu.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Grande texto do Jorge Amaro

Editei e consegui colocar no Correio do Povo um belíssimo texto do Jorge Amaro onde ele fala do contato com a escuridão. Curtam a reflexão deste grande amigo:


                                     Dialogando com a escuridão

Quando eu era um menino, lá em Mostardas, tinha um senhor cego que era padeiro. Sempre que eu ia à escola, enxergava-o indo para a padaria em seu diário cotidiano de quem labuta. Aquilo angustiava demais, transmitindo-me um grande medo. Como era possível alguém conviver na escuridão, sem enxergar nada? Tinha uma lenda popular por lá que dizia que as borboletas soltavam um pó causador da cegueira. Era eu ver uma borboleta para sair correndo pois ser cego era o fim de tudo.

Bom, o tempo passou e estou hoje na vice-presidência do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, tendo como parceiro de gestão justamente um cego. O Roberto Oliveira, como todos aqueles que têm deficiência, me ensina todo dia. Quantos medos cultivamos em nossa infância e permanecem por toda nossa vida pela falta de oportunidade de enfrentá-los?

Nas ultimas semanas por diferentes problemas, tenho convivido com a falta de luz elétrica. Dizem que é carma de viamonense. Quem me conhece, sabe meu nível de distração. Já esqueci terno em hotel, notebook em auditório e carteira com todo o salário em caixa eletrônico. Sem falar em chaleira no fogo todo dia ou ferro na tomada. Isto me impede de acender velas quando falta luz pois me conheço o suficiente.

Por alguns dias, fiquei dialogando com a escuridão. E, por incrível que pareça, aprendi com ela. Acostumamos a estar confinados em luzes e equipamentos eletrônicos e, às vezes, abandonamos lugares distantes das cavernas de nossa alma. E a escuridão me desacelerou, onde pude perceber outras coisas, como reencontrar medos, desejos e amores estranhos. Aquilo que na infância foi objeto de temor profundo, agora me ensina a perceber o mundo com outras formas. Lembro-me da beleza da poesia de Garcia Lorca, que destaca o poeta como um médium da Natureza-mãe que explica sua grandeza por meio das palavras. No escuro, percebo a magnitude da palavra que a claridade me impede de sentir.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Teleton 2012

Como paciente oriundo da AACD (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/09/visita-aacd.html), sou fã de carteirinha do Teleton. Contribuo, assisto e me emociono com as histórias desde o 1º ano da maratona televisiva, em 1998.
Este ano, confesso que temi pelo sucesso do programa com a morte da Hebe, que era a madrinha do Teleton. Para quem não sabe, foi ela quem deu a sugestão ao Silvio Santos de dar essa ajuda a AACD. Nos Teletons, era ela que vibrava com qualquer quantia, independente de serem dois reais doados por uma senhorinha da plateia ou mais um milhão completado rumo a meta alcançada. A Eliana é linda mas não faz nada disso.
Além disso, o padrinho Daniel e a Claudia Leitte, que frequentemente participa do programa, não foram liberados por mais uma atitude cretina e egocêntrica da Globo.
Mas, no final, deu tudo certo. Parece que o povo realmente entendeu a importância do trabalho da AACD. A meta era de R$ 25 milhões e foram alcançados 30. E a tropa do cheque, dessa vez, nem teve tanta participação. As unidades da AACD terão a sua manutenção garantida.
Critiquei a Eliana mas ela teve a boa ideia de dançar Gangnam Style a cada milhão alcançado. Ficou muito divertido. A participação do Danilo Gentili foi ótima. Acho fantástica essa participação de outras emissoras. A TV Cultura e o Youtube Brasil também transmitiram o evento. E o final "familiar" com Silvio Santos, Patrícia Abravanel e Tiago Abravanel ficou muito legal. Pai, filha e neto no mesmo palco (Tiago não é filho de Patrícia).
Aliviado, chego á conclusão de que o sucesso do Teleton está garantido. A AACD e as crianças estão acima de tudo e a população brasileira entendeu isso. Com ou sem Hebe Camargo, Daniel ou Claudia Leitte.
Da minha parte, pelo 2º ano consecutivo, criei um evento no facebook para incentivar os meus amigos a doar. E batemos essa meta também. No ano passado, foram 46 doadores. Este ano, 55. Em 2011, o evento teve a participação de, mais ou menos, 1,4 mil pessoas. Em 2012, tivemos aproximadamente 3 mil participantes. Fizemos a nossa parte também.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Também somos seres humanos

Este é o nome do seminário que fui na Feira do Livro. O título é uma ironia já que o evento falou da invisibilidade das doenças raras. Uma típica provocação do meu amigo Alex Garcia, organizador do seminário. Aliás, conheci o Alex no ano passado, na edição do mesmo evento (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/07/meu-amigo-alex.html).
Cheguei mais tarde (acordar no domingo é sempre mais difícil, né?) e o seminário, para mim, começou com a fala da Fernanda Falkoski, que falou sobre a educação dos surdocegos. Fiquei impressionado com a segurança e a quantidade de conhecimento da Fernanda, uma menina de 23 anos. Olhem o currículo dela: graduanda em Licenciatura Letras/Português (Unisinos), graduanda em Educação Especial (UFSM), tradutora/Intérprete de Língua de Sinais e educadora de surdocego. Espantoso!
O Alex me convidou para almoçar. Falei que almoçaria em casa porque tava esperando visita. As visitas não foram e também cheguei atrasado na parte da tarde.
O primeiro relato que vi foi da senhora Lurdes Salazar, mãe-avó de Alisson Salazar, um garoto surdocego. Gostei da coragem da dona Lurdes que, com a sua simplicidade, veio contar a história do menino.
O relato de Edna Melo Medeiros, mãe de Arthur de Melo Medeiros, foi o mais tocante do evento. O Artur tem Síndrome de Lorenzo e a sua vida virou ao avesso. Me impressionou o fato do menino nascer e viver os seus primeiros anos firme e forte e, de repente, estar numa cama sem poder se comunicar. E o pior que é a doença é degenerativa e não tem cura. Fui ás lagrimas algumas vezes vendo as fotos do garoto. Depois, a mãe da menina trouxe a junta médica que cuida do Arthur. Foi de cortar o coração.
Os dois últimos depoimentos foram de pessoas que conheço relativamente bem. O primeiro foi da minha amigona Liza. Sou suspeito para falar dela pois, quem acompanha este blog, sabe que sou fã dela. Até já escrevi um post sobre a Liza:http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/08/minha-amiga-liza.html . Ela se emocionou algumas vezes contando sobre a sua vida e mostrando como lutou para encontrar o seu papel na sociedade.
A última fala foi de uma pessoa que indiquei ao Alex. Fiquei feliz em saber que pude colaborar de forma efetiva com o seminário. Michele Pradella tem a Síndrome de Osteogenesis Imperfecta (a doença dos "ossos de vidro") e é redatora do Diário Gaúcho Online. A Michele faz um belíssimo trabalho com os blogs Noveleiros e Holofote e falou sobre isso, além de contar a sua vida de fraturas e vitórias.
Para terminar, tivemos uma atividade de dança com a fantástica Carlinha Vendramin. Ela nos mostrou que a dança pode ser feita apenas com o toque das mãos. Ou seja, ela é extremamente acessível. Pena que já estávamos cansados.
O evento foi maravilhoso e teve um público maior do que no ano passado (foram umas 40 ou 50 pessoas). Alex acertou em cheio no tema e nos convidados. O seminário mostrou que a vida nos reserva algumas surpresas desagradáveis em determinados momentos mas, mesmo assim, vale a pena ser vivida da melhor maneira possível.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Falta de acessibilidade na Feira do Livro

Já faz uns dias que não compareço aqui... No último final de semana, fui na Feira do Livro, passeio que faço desde criança. Para quem não é daqui e, evidentemente, não sabe, Porto Alegre tem a maior feira de livros ao ar livre da América Latina (http://www.feiradolivro-poa.com.br/). É uma delícia ir lá, ver livros (coisa que eu adoro) debaixo daquelas árvores. E comprar alguns, coisa que sempre faço.
Mas nem tudo são flores na Feira para uma pessoa com deficiência. A começar pelo piso da Praça da Alfândega, que são aquelas pedrinhas horrorosas chamadas de mosaico português. Aquele piso é duro, as pedras são totalmente irregulares. Como se não fosse suficiente, as coisas ainda pioram porque, nas ruas adjacentes, a Feira está em cima do paralelepípedo mesmo. Os caras não tem noção.
Como me considero uma cara inclusivo e não posso pensar só em mim, comecei a prestar atenção em outros detalhes. Por exemplo, as bancas são muito altas para cadeirantes e pessoas com baixa estatura. Visitei a Feira na companhia da minha amigona Liza e ela me disse que, nos banheiros químicos adaptados, não cabem uma cadeira. Nas bancas e postos de informações, não tem alguém que saiba Libras. Nos eventos paralelos, também não. Os livros em braille e audiolivros praticamente inexistem. Tem gente que trabalha nas bancas que nem deve saber o que é isso.
Tive que escrever um artigo para o Correio do Povo. Se publicarem, acho que dará polêmica.  

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sucesso do Blog VI

Como já disse, eu escrevo as façanhas do blog em postagens porque as estatísticas do Blogspot são temporárias. Mais dois países entraram na lista dos nossos visitantes. Agora são 29, além do Brasil. A saber: Alemanha; Estados Unidos; Rússia; Gana; Letônia; Portugal; República Tcheca; Canadá; Reino Unido; Honduras; Uruguai; Colômbia; Israel; Barbados; Japão; Arábia Saudita; Emirados Árabes; Polônia; Malásia; Nicarágua; Espanha; Senegal; Índia; Austrália; Iraque; Argentina; Nova Zelândia; Chile e Bélgica.
Além disso, já temos quase 70 seguidores e alcançamos a marca de duas mil visualizações no Brasil. E os nossos irmãos portugueses voltaram a visitar o blog.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Um pequeno aviso

Nesta semana, algumas pessoas procuraram a postagem Programa "Faça a Diferença" na TVE (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2011/10/programa-faca-diferenca-na-tve.html). Acontece que, infelizmente, o programa não está mais no ar já que a Juliana Carvalho mudou-se para a Nova Zelândia (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/10/e-juliana-carvalho-mudou-se-para-nova.html).
Mas não ficamos sem espaço na TV aberta aqui no Rio Grande do Sul. O programa Cidadania, também da TVE, lançou um quadro sobre acessibilidade. Ele é apresentado pela jornalista e mestre em Letras, Mariana Baierle Soares.
Conheço a Mariana. Ela é engajada na causa e é um doce de menina. Toda sorte a ela!


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Reunião desastrada

Na última sexta-feira, fui na reunião preparatória para os delegados gaúchos que vão na Conferência Nacional dos Direitos da PcD. Pura perda de tempo!
A reunião já começou mal porque pagamos o mico de cantar o hino riograndense á capela só porque estamos representando o Rio Grande do Sul (péssima ideia do Roberto, presidente do Coepede). Depois, perdemos outro tempo com relatos pouco interessantes (inclusive o meu) sobre a situação dos municípios após a conferência estadual. Aí fizemos a distribuição dos delegados pelos nove grupos temáticos de Brasília. Talvez tenha sido a única parte necessária da reunião. Fiquei no grupo da comunicação, não podia ser diferente.
Na parte da tarde, o Moisés Bauer, presidente do Conade, falou sobre a logística da viagem e da Conferência, coisa que poderia ser feita por e-mail. No começo do seu depoimento, nos demos conta de que estava faltando intérprete de libras. Disseram que a menina da tarde faltou. Depois descobrimos que a menina que veio de manhã foi contratada pelo Roger Prestes. Como ele foi embora ao meio dia, ela também foi. Ou seja, na verdade, não contrataram intérprete de libras. Hoje, descobri que a falha foi da Faders. Mico total num evento para PcDs.   

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Jorge Amaro ataca novamente...

Depois de mais de um mês ausente, Jorge Amaro me mandou outro artigo. E consegui publicá-lo hoje no Correio do Povo. Aí está o texto:

                                                    Política para Pessoa com Deficiência no divã

O último censo do IBGE aponta aproximadamente 45 milhões de pessoas com deficiência (PcDs) no Brasil, sendo 2,5 milhões no RS, e nos faz pensar em políticas públicas para este público num país dominado por ações desarticuladas. É importante entendermos que uma política, para ser efetiva, necessita de um sistema organizado.

Como seria o sistema ideal de políticas públicas para as PcDs? Acredito que ele deve possuir as seguintes estruturas: órgão gestor; espaço de controle social; plano e fundo, todos baseados na Convenção da ONU.

O órgão deve estar vinculado à estrutura que responda pelos direitos humanos e precisa fazer a articulação destas políticas, sendo a execução orientada pelos responsáveis por cada setor. No RS, a Faders (Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades no RS) começou a executar esta tarefa em 1999 mas atende aos PcDs desde 1973.

Os conselhos de direitos, ou espaços de controle social, devem ser paritários e ter as atribuições de consulta e fiscalização das políticas, com autonomia constitucional. O Coepede (Conselho Estadual dos Direitos da PcD) foi criado em 2005.

O plano materializa os direitos em ações diretas em favor das PcDs. Precisa estar enraizado em todos os setores e deve ser construído democraticamente, juntando as demandas sociais, questões legais e a execução. O primeiro esboço no RS foi feito em 1997 e a versão atual é de 2012.

O fundo é o instrumento de financiamento de projetos vindos da sociedade e dos conselhos, sendo controlado por estes. O Fundo Estadual é de 2011.

Analisando os estados, noto uma desorganização da política para PcDs. Há estados sem órgão gestor, conselhos recém criados, ausência de fundos e inexistência de planos e ações. No RS, temos apenas sete cidades com órgãos gestores, pouco mais de 50 com conselhos e em torno de uma dezena de fundos municipais.

Este é o maior desafio da Faders que, no dia 23 de outubro, completou 39 anos e precisa definir sua posição neste cenário. É necessário garantir a política pública e construir uma agenda comum para todos. Vamos construir o SISNAPEDE (Sistema Nacional Articulado de Políticas Públicas para PcDs)? É o caminho? Perguntas que somente debatendo teremos respostas para avançarmos na concretização destas políticas. E a Faders está dentro deste contexto.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Um pequeno conto de quem utiliza o transporte público...

Escrevi no meu status do facebook mas, para quem não me acompanha lá, contarei tudo de novo aqui.
Hoje de manhã, no segundo ônibus que pego para chegar no serviço e que, normalmente, vem cheio, uma senhora de 71 anos fez a gentileza de trocar de lugar e me cedeu o banco mais perto da porta para que não eu precisasse me deslocar tanto dentro daquele aperto. Depois que sentei, agradeci a gentileza e só então que me dei conta de que já conhecia aquela senhora, de outras viagens. Mesmo assim, fiquei surpreso porque estou super acostumado a falta de gentileza e o individualismo dos mais jovens.
Viemos conversando durante a viagem e ela me explicou que estava voltando do trabalho. Disse trabalha como "dama de companhia" (no mundo moderno, enfermeira mesmo). Imaginem: tem 71 anos, trabalhou a noite toda e ainda me deu o lugar. Tem jovem que bota fone de ouvido e finge que tá dormindo para não te dar o lugar.
A senhora também me disse que a sua aposentadoria é de um salário mínimo e que, portanto, precisa continuar na labuta. É triste mas só posso desejar toda a sorte do mundo para essa senhora.

Ah, o título deste texto foi roubado de um comentário sobre o meu status. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sucesso do Blog V

Chegamos a Nova Zelândia, 28º país a visitar este blog. Ultrapassamos a marca de 100 visualizações na Alemanha. Alcançamos 62 seguidores. E atingimos o número de 2.500 visualizações. Não é nada perto das 239 mil do blog da Bruninha (http://esclerosemultiplaeeu.blogspot.com.br/). Mas o que posso fazer se não tenho um pingo do talento e da doçura dela para escrever?

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Blogs sobre PcDs que recomendo

Como vocês sabem, reclamo frequentemente da falta de espaço na mídia para as pessoas com deficiência. Felizmente, no mercado negro, temos muitos bons "produtos". Estou falando dos blogs, que são gratuitos e difundem muita informação e histórias legais dos PcDs. Recomendo alguns.
O primeiro que quero mostrar aqui é o do meu amigo gremista e cadeirante Osorio Martins. O blog dele, Osório Acessibilidade Siga Essa Ideia, segue mais ou menos a mesma linha do meu. Ele bota algumas informações e conta algumas histórias ocorridas com ele. Pena que o blog anda meio parado. Este é o link: http://oportins.blogspot.com.br/ .
A também cadeirante Juliana Carvalho tem um jeito mais despojado e mais desbocado de contar as suas histórias. O blog dela, o Comédias da Vida Aleijada, é extremamente dinâmico e envolvente. Você consegue dar boas risadas lendo os posts. Também é uma pena que, depois que a Ju viajou e se mudou, o blog esteja parado (totalmente parado): http://comediasdavidaaleijada.blogspot.com.br/ .
O terceiro blog que eu recomendo é o da minha amiga Bruna Rocha Silveira, que tem esclerose múltipla. A Bruninha conta a sua vida de esclerosada com um jeito doce e leve que só ela tem. Sou fanzão dela. O blog Esclerosa Múltipla e Eu é tão dinâmico que, no dia em que você entrar lá, provavelmente terá uma postagem nova. O link é: http://esclerosemultiplaeeu.blogspot.com.br/.
O blog mais conhecido do país, certamente, é o do jornalista cadeirante Jairo Marques. Jairo é chefe de redação do jornal Folha de São Paulo e conseguiu abrir um belo espaço para as PcDs na mídia. O seu blog, o Assim Como Você, além de extremamente opinativo, tem uma linguagem irreverente a ponto de criar termos novos como "maraviwonderful". Acesse: http://assimcomovoce.blogfolha.uol.com.br/
Gostei da ideia de divulgar esses blogs. Se você tiver ou conhecer um interessante, nos mostre. A troca de experiências é sempre extremamente salutar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Resultados Eleitorais de PcDs no RS

Com as pessoas com deficiência procurando o seu espaço na sociedade, uma das maneiras de garantir esse espaço é lutar por seus direitos. Nada mais justo, é óbvio, e o principal caminho para que esse objetivo seja alcançado é a política. Isso levou a um aumento muito grande de PcDs se candidatando a cargos políticos.
Como vocês sabem, eu pensei em me candidatar a vereador mas desisti. Expliquei isso neste post: http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/06/nao-serei-mais-candidato.html .
Mas, felizmente, foram de mais de 15 candidatos a vereador e um para prefeito, pelo que fiquei sabendo, aqui no Rio Grande do Sul. Tivemos uma representação ainda pequena mas crescente nesta eleição. Apenas Paulo Brum e Luciano Marcantônio (em Porto Alegre); Luis Henrique Tino (Cachoeirinha) e Paulo Nunes, em São Sepé, se elegeram vereadores.
Existia uma certa expectativa com a eleição de Santos Fagundes para prefeito de São Sepé já que ele é cego desde os 26 anos. Fagundes teve uma retinose pigmentar, doença degenerativa que começou a tirar a sua visão aos nove anos. Ele é coordenador do gabinete do senador Paulo Paim, relator do Estatuto da PcD. Mas, infelizmente, essa expectativa não se confirmou.
Paulo Brum é um cara conhecido aqui no RS. Cadeirante em virtude de um acidente, já tinha sido vereador e deputado estadual. Acredito que ele volte para a Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social, cargo que exercia antes das eleições. Luciano Marcantônio tem amputação num dos braços e vai para o 2º mandato. Luis Henrique Tino e Paulo Nunes, eu confesso que não conheço.
Um candidato que não é PcD mas que tem um trabalho voltado para nós e se elegeu é o Cláudio Silva (http://blogdaacessibilidade.blogspot.com.br/2012/04/claudio-silva-sai-da-faders.html). Ele foi eleito prefeito de Parobé. Portanto, é esperado que Parobé avance bastante em acessibilidade.
E você? Conhece algum PcD que foi candidato nesta eleição?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Brinquedos Acessíveis em Parques

Meu amigo Leonardo Guerrieri me pediu para escrever um texto sobre brinquedos acessíveis em parques. Confesso que não entendo do assunto. Só vi brinquedos acessíveis em fotos. Portanto, tive que pesquisar.
E descobri que temos uma lei, a 11.928, de julho de 2009. Essa lei determina obriga parques públicos e privados a adaptar cerca de 5% de cada brinquedo e equipamento e identificá-lo para utilização de usuários com deficiência. Ela foi sancionada pelo presidente Lula.
Li um trecho da lei e não gostei: "Os parques de diversões, públicos e privados, devem adaptar, no mínimo, 5% (cinco por cento) de cada brinquedo e equipamento e identificá-lo para possibilitar sua utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tanto quanto tecnicamente possível." Esse "tecnicamente possível" dá margem para as prefeituras não fazer as adaptações simplesmente porque não acham que tem condições de fazer. Pura preguiça.
A verdade é que temos pouquíssimos brinquedos adaptados para crianças com deficiência em parques. É só observar. Em Porto Alegr, onde vivo, não conheço nenhum. E o pior é que, nestas eleições, não vi um candidato a prefeito que incluisse, nas suas propostas, brinquedos acessíveis em parques.


Não entrei no "aspecto técnico" da importância dos brinquedos acessíveis porque o texto iria ficar muito longo. Colocarei, abaixo, os textos em que me baseei para fazer este artigo: http://www.redeandibrasil.org.br/em-pauta/projeto-de-lei-cria-parques-acessiveis-a-criancas-com-deficiencia


http://movimentoinclusaojabrinquedosadaptado.blogspot.com.br/2011/03/lei-obriga-parques-adaptarem-brinquedos.html

http://www.ressoar.org.br/dicas_inclusao_sentidos_passeio_acessivel.asp

Quando descobrir mais coisas, passo para vocês.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O paradesporto no IPA está voltando

Quem acompanha este blog há algum tempo, sabe que faço natação. Tem uma faculdade aqui em Porto Alegre, o IPA, que montou um programa de natação para pessoas com deficiência e eu faço parte deste time. É gratuito. Comecei há uns sete anos (se não me engano).
E o mais legal, de uns três anos para cá, é que pegamos um professor excelente, o Tiago Bicca. Para vocês terem uma ideia, antes dele chegar, eu nadava 300, 400 metros numa aula de 50 minutos. Quando ele saiu, eu estava nadando um quilômetro por aula. Estou nadando uma distância maior com mais técnica (e olha que estou mais velho).
Além disso, ao longo dos anos, fomos formando uma turma boa. São uns 15 alunos com suas dificuldades mas, principalmente, com uma vontade enorme de viver. Gente que vai para a aula mesmo debaixo de chuva, que viaja para competir... Gosto da companhia do Edson e do Rogério, meus companheiros de horário. Temos um entrosamento bacana.
Infelizmente, o IPA é muito enrolado e não contratou um estagiário para nos dar aula este ano. Só tivemos aula porque o Tiago fez um trabalho voluntário. Mas ele precisou do horário para o mestrado que está fazendo e ficamos sem professor. Agora, eles contrataram outro professor, coincidentemente, outro Tiago.
Volto para a natação nesta quinta. Estou feliz ainda que as aulas, provavelmente, só permaneçam até dezembro por causa do ano letivo. Estou feliz porque vou reencontrar meus amigos.
Além disso, vou melhorar um pouco meu condicionamento físico e, quem sabe, superar mais um pouco os meus limites.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

E a Juliana Carvalho mudou-se para a Nova Zelândia...

A Juliana Carvalho foi quem me "iniciou" no movimento das pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul. A Juliana é publicitária e trabalhava na assembleia legislativa, aonde criou e apresentou um programa sobre diversidade, chamado Faça a Diferença. Esse programa é o único espaço fixo na mídia gaúcha que as pessoas com deficiência tem para se manifestarem.
Baseada nessa lacuna, a Ju criou o Seminário Mídia e Deficiência. Ela trouxe representantes da imprensa e professores universitários gaúchos para discutirmos esse tema da falta de espaço para PcDs na mídia. Sim, falei no plural porque ela me deu a honra de participar da primeira mesa. O evento aconteceu no dia 27 de julho do ano passado.
E, na organização deste evento, você consegue perceber algumas das características dela: inquieta; organizada; gosta de tomar iniciativa e abraça bastante a causa. Ela trouxe a passeata do Movimento SuperAção para Porto Alegre; ela agitou a 1ª Semana da Valorização da PcD no RS e o 1º desfile de moda inclusiva. Ela escreveu um livro contando a sua vida antes e depois do lúpus. A obra chama-se Na minha cadeira ou na tua? O blog dela, Comédias da Vida Aleijada, (que anda parado, infelizmente) é ótimo. A Ju tem uma linguagem alegre, desbocada. Vale a pena curtir: http://comediasdavidaaleijada.blogspot.com.br/ . 
E, certamente, estou esquecendo de outras iniciativas da Juliana.
Com essa ida para a Nova Zelândia, a Ju deixou órfão o movimento dos PcDs no Rio Grande do Sul. Talvez eu esteja exagerando mas a Juliana era, entre nós, a pessoa mais em evidência aqui no estado. Sei que ela foi para a Nova Zelândia, em função de uma melhor qualidade de vida, principalmente na questão da acessibilidade (que deve dar de 10 a 0 na nossa), mas que você fará muita falta para nós, Ju, isso fará.


OBS: Quem quiser conhecê-la melhor, ela está na facebook. Procure por Juliana Carvalho dos SAntos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Manual de Redação- Mídia Inclusiva

Você ainda nos chama de portador de deficiência? Portador de necessidades especiais? Pois saiba que esses termos estão em desuso. O mundo das pessoas com deficiência evoluiu muito nos últimos anos e a terminologia acompanhou essa evolução. Os termos antigos eram muito pesados e nos estigmatizavam.
A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul fez um excelente trabalho ao lançar, em formato digital, um Manual de Redação de Mídia Inclusiva. Este é o link: http://www2.al.rs.gov.br/assembleiainclusiva/LinkClick.aspx?fileticket=Pyw-mnmUWDc%3d&tabid=5248&language=pt-BR
Este é o tipo de material que deveria ser largamente difundido, principalmente, entre as pessoas que trabalham com mídia e as pessoas com deficiência.
Façam bom proveito.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Virei voluntário na AACD

Depois de ter feito a reportagem na AACD, no dia seguinte, me deu um estalo: por não me ofereço para ser voluntário na assessoria de imprensa da entidade? Liguei para Gracielle, a moça que me conseguiu a entrevista para a matéria e, é claro, que eles precisavam de voluntário nessa área. Fico feliz em poder colaborar mais uma vez e já consegui colocar o almoço campeiro, que acontecerá neste domingo, no Correio do Povo.
Enquanto isso, o nosso blog chegou ao Iraque e á Argentina. Já são 27 países que nos visitaram (incluindo o Brasil). A Argentina é o 3º país sulamericano. Confesso que tava achando estranho a ausência dos hermanos.
Já temos 60 seguidores e falta pouco para alcançarmos a marca de 2,3 mil visualizações.   

sábado, 22 de setembro de 2012

Mais um artigo do Jorge Amaro: Tradição, inclusão e diversidade


Este artigo do Jorge Amaro, eu não consegui colocar no Correio do Povo (não é todo dia que é dia santo, né Jorge?). Só quem lê o blog conseguirá ler a coluna. Espero que vocês gostem. Aí está:

                                          Tradição, inclusão e diversidade

Liberdade é um valor forte na cultura gaúcha. No hino riograndense está lá, adjetivando nossa principal comemoração, o 20 de setembro, considerado o precursor da liberdade. Mas, afinal, o que é ser livre? Liberdade pode significar o direito de ir e vir, de acordo com a própria vontade, desde que não prejudique outra pessoa.  Também é o conjunto de ideias e direitos de cada cidadão.
Para as pessoas com deficiência (PcDs), ser livre significa ter acesso em todas dimensões, sejam elas físicas, instrumentais, atitudinais e morais. Para atender este direito, o Piquete Segurança dos Pampas, pelo segundo ano, propôs como tema no Acampamento Farroupilha, a inclusão.
O grande desafio de pensar uma nova sociedade, onde a discriminação seja vencida, passa por dois elementos cruciais. O primeiro deles é a formação das pessoas para combater sua ignorância, que vem de um processo de construção de identidade, onde negros; mulheres; gays; PcDs; índios e outras minorias continuam relegadas. O segundo é o empoderamento de todos aqueles que vivem de assistencialismo, que nada mais é do que a transição para um patamar de igualdade. Para isso, porém, são necessárias medidas reparadoras.
Além de pensar o espaço físico, o piquete trouxe, para guardar a chama crioula, Samuel Ferraz, excelente declamador do CTG Pousada da Figueira. Bom, neste caso, a cadeira de rodas é um detalhe, que acaba destacando-se pelas dificuldades de mobilidade no Parque da Harmonia, cujos espaços não dialogam com a acessibilidade universal e tornam a vida do Samuel desigual em relação às outras pessoas.
Crianças e jovens de Alvorada visitaram o Piquete e foram recepcionados pelos cantores Roberto Oliveira e Casemiro Olejenik, que brindaram a todos com canções tradicionalistas. Eles mostraram que a deficiência está nas barreiras que a sociedade impõe e não nas pessoas. Roberto é cego e Casemiro, cadeirante, mas, em primeiro lugar, são indivíduos que precisam de oportunidade para mostrarem suas potencialidades.
Tradição, inclusão e diversidade expressam uma consciência necessária, onde a liberdade, que compõe o ideário Farroupilha, deve estar no cotidiano de forma plena, não somente nos discursos, mas também no cotidiano. E não há, em hipótese alguma, liberdade sem respeito às diferenças e promoção da acessibilidade. Este é um desafio a ser enfrentado pelo tradicionalismo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Olha eu na TV

Essa reportagem que apareci aconteceu antes de eu iniciar este blog e acabei esquecendo de colocá-la aqui. Ela foi transmitida no telejornal da noite da afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul. É a segunda reportagem do bloco que está neste link. Para quem quiser me conhecer melhor, aí está: http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=96648&channel=45
A dica que eu dou é a seguinte: quando você quiser fazer alguma reclamação sobre os direitos da pessoa com deficiência, procure o e-mail do jornal ou telejornal da sua região e conte a história com o máximo de detalhes possível. Provavelmente, de alguma forma, a sua reclamação será publicada.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sucesso do Blog IV

Chegamos a Austrália! É o 25º país a nos receber. Tá certo que foi minha irmã que acessou o blog mas chegamos lá. Além disso, ultrapassamos a marca das 200 visualizações nos EUA. Aliás, tenho recebido muitas visitas da Alemanha, Rússia e Estados Unidos. Nestes últimos 30 dias, quase 60% das visualizações são estrangeiras.

Quem são essas pessoas? Por que acessam um blog brasileiro sobre pessoas com deficiência? São brasileiros que moram fora? São estrangeiros que querem conhecer a situação dos PcDs no Brasil? Querem nos ajudar? Adoraria saber... 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Visita á AACD

Hoje de manhã, passei por um momento muito especial. No post "Minha História", eu contei para vocês que a minha paralisia cerebral foi descoberta na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) quando eu ainda morava em São Paulo.
Depois, vim morar em Porto Alegre e comecei um tratamento particular, no qual estou até hoje. Em 1998, como todos sabem, começou o Teleton no SBT para aumentar o número de unidades e expandir a AACD. Como tenho essa relação de carinho com a instituição, eu sempre doei para o Teleton. E, já em 99, Porto Alegre foi contemplada com uma unidade da AACD que, estrategicamente, fica perto do Hospital da PUC. E, nesta época, eu fazia jornalismo na própria PUC. Ou seja, passava perto da construção da AACD aqui em Porto Alegre.
Em 2000, a nossa AACD foi inaugurada e eu sempre prometia para mim mesmo que, um dia, iria visitá-la mas ficava adiando. E hoje chegou o grande dia. Estava fazendo uma reportagem sobre o mutirão para atender os pacientes que tem deficiência física ou auditiva no Rio Grande do Sul e que aguardam assistência. Precisávamos de um exemplo de um paciente que usufrui desses atendimentos. É aí que entra a AACD. Lá, fui encontrar a Ana Carolina, uma garotinha muita esperta que tem cinco anos e o mesmo problema que eu (num estágio de comprometimento bem mais avançado, obviamente). Entrevistei a sua mãe e a sua fisioterapeuta. As duas estão muito felizes com a evolução da criança.
Mas o melhor de tudo foi passar por todas aquelas crianças e ver tudo o que o Teleton sempre me mostrou: uma vontade enorme de viver. As crianças tem muita autonomia, manuseiam suas próprias cadeiras de rodas (as que podem, evidentemente) e estão sempre muito sorridentes. Apesar de não lembrar do tempo de AACD, passou um filme na minha cabeça. Foi muito legal.
Para quem ainda não percebeu, eu e as crianças da AACD temos uma mensagem: somos felizes, mesmo com as nossas limitações porque nossas potencialidades são maiores.
E rumo ao Teleton 2012. Quero ver todo mundo doando.  

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Outro artigo do Jorge Amaro no CP

Mais um bom artigo do Jorge Amaro que eu editei e consegui colocar no Correio do Povo. Aqui está a íntegra do texto:

                                                   
                                                      Coração do meu Brasil


O que dizer dos nossos atletas paralímpicos após seus maravilhosos resultados em Londres? As 43 medalhas conquistadas são façanhas de verdadeiros heróis, que colocaram a alma em cada disputa. Os nossos atletas estavam lá, mostrando ao mundo a garra de mais de 45 milhões de pessoas com deficiência brasileiras.

O Brasil é, hoje, a 6ª economia do mundo mas, contraditoriamente, um dos países mais desiguais sendo que as pessoas com deficiência são aquelas que, entre os excluídos, as que mais sofrem, principalmente, pela falta de acessibilidade. O esporte não é a primeira necessidade para este segmento pois, antes dele, vem a saúde; a educação; a moradia e a assistência social. Mas é justamente o esporte que tem mostrado o quanto as potencialidades destas pessoas podem superar suas dificuldades.

Neste ambiente completamente inóspito, temos que destacar o protagonismo das pessoas com deficiência, primeiro, através da seriedade e comprometimento do Comitê Paralímpico Brasileiro. Depois, através das confederações e, por fim, das entidades locais, que mantém acesa a chama do nosso movimento paralímpico.

O esporte paralímpico brasileiro, de fato, aumenta sua legitimidade e amplia suas fronteiras. Mostra que este país tem jeito, sim. Mas há ainda um longo caminho a ser percorrido rumo a aceitação e a abrangência já alcançadas pelo esporte olímpico. Um exemplo disso é o descaso de nossa mídia televisiva. Os nossos atletas paralímpicos mostraram ao Brasil o verdadeiro significado de patriotismo e nos deixaram mais orgulhosos, seja não só pelas medalhas mas também pela luta para ser atleta num país que engatinha no processo de inclusão e reconhecimento da diversidade em suas políticas públicas.

O coração do meu Brasil pulsa forte e feliz com as alegrias produzidas em Londres por cada um dos membros de nossa delegação, medalhista ou não, pois, mais do que nunca, competir simbolizou vitórias de quem tem uma vida inteira de luta contra o preconceito e a invisibilidade.

Parabéns Ricardinho Alves, ouro no futebol de 5, Jovane Guissone, ouro na esgrima sobre cadeira de rodas, e Alexsander Celente, prata no Goalball, gaúchos que brilharam em Londres.



Jorge Amaro de Souza Borges é vice-presidente do Coepede (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Resposta do Sportv

A resposta do Sportv com relação ao post anterior veio mais rápido do que eu imaginava. É uma resposta padrão mas, pelo menos, eles tiveram a preocupação de responder. Aí está ela: "Oi, Gustavo, obrigado pelo contato. Nosso Fale Conosco está aberto às suas sugestões e críticas. A sua mensagem já foi registrada e será encaminhada aos responsáveis.
Abraços,
Equipe SporTV" 
Vamos ver se acatam a sugestão e mudam essa postura de não ter o costume de transmitir o paradesporto.
Enquanto isso, o nosso blog ultrapassou a marca de 100 visualizações da Rússia graças a um ou uma visitante de lá que continuo louco para saber quem é.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Paralimpíadas e o Sportv

Fantástico o trabalho do Sportv nesta Paralimpíada que está se encerrando. Eles dedicaram um canal exclusivo para a transmissão das competições. Nunca tivemos um espaço tão grande na televisão brasileira.  Esse tipo de atitude mostra todos o nosso valor. Mostra, para quem ainda não percebeu, que temos metas e ambições como qualquer outro.
Mandei um e-mail a eles parabenizando pelo trabalho e pedindo que continuem fazendo esse trabalho de transmitir o paradesporto cotidianamente. Não temos metas, ambições e nem somos atletas apenas a cada quatro anos, né?
Estou esperando uma resposta.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Artigo do Jorge Amaro no Correio do Povo

Depois de mais de um mês de ausência, Jorge Amaro voltou á tona. Veio com outro texto para por no Correio do Povo, que foi publicado hoje. Compartilho o texto com vocês:

                                     Educação, deficiência e sustentabilidade


Qual é a educação que queremos? A resposta para essa pergunta pode ter diferentes facetas, pois depende de quem responde e, principalmente, do lugar e da posição em que se está falando. Um negro, uma pessoa com deficiência ou um indígena terão diferentes respostas, por exemplo. Da mesma forma, um educador, um pai e um governante. O processo educacional está sempre em disputa e é reflexo do modelo de sociedade que desejamos. Como diria Paulo Freire, a educação não é neutra. Sempre teremos algo a dizer e questionar.

Como servidor público, educador, ambientalista e pessoa que trabalha pela inclusão, tenho posições, sonhos e utopias. É inegável que a educação é uma das ferramentas para a transformação de nosso país numa nação mais justa e solidária, mas jamais será ela, sozinha, que garantirá essa condição, já que precisa dialogar com mais intensidade com os outros direitos sociais.

Recentemente, estive em Manaus, participando da Conferência Sudi (Sustentabilidade e Deficiência), uma das várias atividades que vêm ocorrendo no mundo todo depois da Rio+20. O Plano Nacional de Mudança do Clima trouxe, pela primeira vez, o conceito de espaços educadores sustentáveis como "aqueles que têm a intenção pedagógica de se transformar em referências de sustentabilidade socioambiental, isto é, espaços que mantenham uma relação equilibrada com o meio ambiente e compensem seus impactos com o desenvolvimento de tecnologias apropriadas, permitindo, assim, qualidade de vida para todos".

Estamos vivendo um tempo de transformações e temos a possibilidade de influir diretamente na história. E não temos como abrir mão da acessibilidade. Ela precisa estar dentro da agenda da sustentabilidade, não só como um princípio, mas como um valor.

Dessa forma, educação, deficiência e sustentabilidade aparecem como novas possibilidades para pensarmos em utopias democráticas que estimulam a necessidade de pensarmos em sociedades sustentáveis, que preservam o meio ambiente, respeitam as diferenças e promovem os direitos humanos. Torcemos para que a provocação de Manaus comece a ganhar força e se espraie por todos os recantos deste país tão rico em diversidade.







terça-feira, 4 de setembro de 2012

Lançamento da Carta Cidade Acessível

Li essa reportagem no blog do Coepede e fiquei muito feliz só de saber que os candidatos conhecem a existência de um conselho que defenda as pessoas com deficiência. É claro que não acredito totalmente nas promessas deles, que fiquei chateado com o fato de dois candidatos mandarem os seus vices e que um não mandou nem o vice mas o saldo continua positivo. Abaixo, a matéria:
A quinta-feira (23/08) foi um dia histórico na capital gaúcha. Uma ação, dentro da programação da Semana estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pelo Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Coepede) vinculado a Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos, propôs um encontro com seis das sete candidaturas a prefeitura de Porto Alegre.

Conforme Roberto Oliveira, presidente do Coepede e representante do movimento de cegos, “esta carta é um compromisso político com a acessibilidade, ou seja, provoca os partidos a pensarem a cidade de forma diferente, com um olhar para o acesso a todas as pessoas.”

Compareceram Villaverde (PT), Roberto Robaina (PSOL), Jocelim Azambuja (PSL), Sebastião Melo (representando José Fortunati, do PDT), Nelcir Tessaro (representando Manuela D'Ávila do PC do B) e Érico Corrêa (PSTU).

Cada um dos presentes teve que responder a pergunta “Quais as medidas que você irá implementar, se eleito, para garantir a acessibilidade das pessoas com deficiência em Porto Alegre?”. Conforme Jorge Amaro, vice presidente do Coepede, são mais de 300.000 portoalegrenses com deficiência que precisam de políticas públicas.”

Villa – apresentou a carta “Porto Alegre Acessível” com 13 propostas, com destaque na criação de um Plano Municipal articulado com a esfera estadual e nacional, e ainda criação de um Centro de Reabilitação no antigo CRP do INSS”

Tessaro – defendeu uma cidade inovadora e com igualdade, destacando a materialização do Plano Diretor de Acessibilidade e propondo tornar Porto Alegre a capital do Turismo Acessível.

Corrêa – destaca que o primeiro conceito a ser desenvolvido em relação as pessoas com deficiência é o respeito, e para dar conta desta tarefa, é preciso desenvolver uma cultura de acessibilidade.

Robaina – A prefeitura de Porto Alegre deve dar exemplo a população e garantir a acessibilidade plena em seus prédios e equipamentos públicos. O PSOL como partido que defende os excluídos, vai atender as principais demandas das pessoas com deficiência.

Melo – A carta por uma Porto Alegre mais Acessível destaca a implantação da Secretaria Municipal de Acessibilidade e Inclusão Social e os investimentos que a prefeitura já investiu e as propostas vinculadas a Copa do Mundo de 2014.

Azambuja – propõe um planejamento da cidade até 2050, ampliando serviços de transporte saúde e educação, em especial a reforma dos meios físicos da cidade.

A avaliação de Roberto Oliveira é que o encontro foi produtivo e o Coepede deu uma contribuição ao processo democrático.



















segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tenho um fã na Rússia

Descobri: tenho um fã na Rússia! Ou uma fã. Vejo, pelas estatísticas as quais só eu tenho acesso por ser dono do blog, que, em alguns momentos, o número de visualizações da Rússia sobe de repente. Ou seja: alguém de lá lê os posts mais recentes do blog. E deve ser uma única pessoa que eu adoraria saber quem é. Por favor, apareça. É só fazer um comentário neste post.
Enquanto isso, também tive a honra de receber uma visita da Índia, 24º país a conhecer meu blog. E o número de visualizações ultrapassou 2,1 mil. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Gravataí promove o 1º Seminário de Inclusão Produtiva

A Márcia, da Desenvolver Consultoria em Inclusão de Pessoas com Deficiência (que, aliás, faz um trabalho maravilhoso nessa área. Acompanhem: http://desenvolver-rs.com.br/), pediu que eu divulgasse aqui no blog um seminário de produção inclusiva que acontecerá em Gravataí. Fiquei lisonjeado porque não imaginava que meu blog tinha tanta repercussão. Além disso, pedido da Márcia, que é um doce de pessoa, aqui é uma ordem. Então, aí vão as informações do evento:

Gravataí estará promovendo o 1º Seminário de Inclusão Produtiva. O evento ocorrerá no dia 10 de setembro, a partir das 14h, na Câmara Municipal (Av. José Loureiro da Silva, 2597). O tema debatido será o Benefício de Prestação Continuada e as discussões serão em torno das modificações na legislação e as perspectivas da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. As convidadas para o seminário são as Auditoras Fiscais do Trabalho, Ana Costa e Denise Gonzales.   

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nova norma do Ministério do Trabalho e Emprego para deficientes

Depois que me tornei uma pessoa "inclusiva", comecei a receber material, sobre o universo das pessoas com deficiência, das mais diversas formas. Recebi este artigo por e-mail e estou socializando este conhecimento:

Nova norma do Ministério do Trabalho e Emprego para deficientes


                                                                                                       Paulo Sérgio João e Adriana Adani

No último dia 18 foi publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego a Instrução Normativa de n. 98 (IN 98) que regulamenta de forma mais objetiva e traz novidades à fiscalização quanto à inclusão das pessoas portadoras de deficiência ou beneficiários da Previdência Social reabilitados no mercado de trabalho, conforme a exigência prevista no artigo 93 da Lei de n. 8.213/91.

A IN 98 revogou a Instrução Normativa de n. 20/2001 que dispunha sobre o mesmo tema, porém de maneira limitada e que ensejava interpretações restritas, submetendo as empresas a fiscalizações de obrigação impossível sem que houvesse a contextualização entre as suas realidades e a insuficiência de profissionais habilitados no mercado.

A novidade é que fixa os procedimentos a serem seguidos pelos auditores fiscais do trabalho, uniformizando e inserindo os fiscais na participação junto às empresas desde o processo de captação da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, sua contratação, adaptação no ambiente corporativo e eventual desligamento. O auditor agora deverá fazer parte do processo de inclusão do deficiente e não mais ficar do lado de fora, cumprindo a formalidade da fiscalização e consequente autuação, sem a conscientização e conhecimento do confronto entre a lei e a realidade.

Neste contexto, em reconhecimento de que a aplicação de multas não satisfaz a proposta social da lei, o Ministério do Trabalho prevê no artigo 16 e seguintes da IN 98 a instauração de procedimento especial para a ação fiscal, que pautado na exigência da Lei de que as empresas com mais de 100 (cem) empregados devem cumprir a reserva legal, prevê prazos para o seu cumprimento que deverão ser fixados mediante termo de compromisso firmado junto a este Órgão.

A nova readequação nos níveis do conceito, treinamento e critérios da própria fiscalização para concluir quanto à desobediência do cumprimento da contratação dos deficientes ou reabilitados pela Previdência trazida pela IN 98 implica uma revisão pelas empresas quanto à postura, argumentos e fundamentos nos processos de fiscalização.


Paulo Sérgio João e Adriana Adani são sócios do Paulo Sérgio João Advogados – www.psjadvogados.com.br



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Artigo do Roberto Oliveira sobre a Semana Estadual

Recebi por e-mail do Jorge Amaro, um artigo do Roberto Oliveira sobre a Semana Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência para ser publicado no Correio do Povo. Como já tinha conseguido colocar um artigo meu sobre o mesmo assunto no Correio e, logo depois, a Marli Conzatti também escreveu um, não foi possível a publicação deste artigo do Roberto. Mas, como a intenção deste blog é espalhar o cnhecimento sobre o universo da pessoa com deficiência e este artigo do Roberto está ótimo, vou colocá-lo na íntegra para vocês: 


                                         Nada sobre nós sem nós


Chegamos a mais uma semana estadual dos direitos da pessoa com deficiência (PcD). Ao longo de meus 60 anos na escuridão, continuo com a alma repleta de luz e esperança num mundo mais acessível. Por que precisamos de uma semana para comemorar um segmento específico? É simples e ao mesmo tempo, complexo. Um país que se diz democrático, infelizmente discrimina milhões de pessoas e as condena a ausência de direitos iguais apenas por serem diferentes.

Não queremos nada a mais, só precisamos que respeitem nossas diferenças. Como fazer isso? Com rampas; bengalas; pisos táteis; Libras; Braille e, principalmente, sensibilidade.

O nosso Estado nega aos surdos o direito a comunicação quando não oferece a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Impede as pessoas com deficiência física de chegarem a diversos espaços que não tem rampas. Os cegos, sem mobilidade, perdem autonomia.

O Plano Viver sem Limite e sua versão gaúcha, o RS sem Limite, são valiosos instrumentos de avanços, pois envolvem recursos para várias áreas através de projetos. Mas sozinhos são insuficientes. Conceitualmente, a transversalidade é de fácil compreensão, difícil é executá-la. Este é o maior desafio dos órgãos públicos no Rio Grande do Sul. Não podemos mais tolerar a ineficiência dos órgãos públicos ao dialogarem sobre acessibilidade. É inaceitável que tenhamos apenas uma fundação, sem força política e com recursos limitadíssimos para tratarem de um contingente com mais de 2 milhões de pessoas. Precisamos avançar, como o Brasil fez, transformando uma coordenadoria em secretaria nacional e como os estados de São Paulo; Piauí e Amazonas também fizeram, criando secretarias estaduais. Não vamos abrir mão da criação de uma secretaria estadual, como sempre diz nosso companheiro Gustavo Trevisi.

Tenho orgulho e vergonha deste Estado, pois o mesmo que foi o primeiro a aderir ao Viver sem Limite, nega o direito a uma jovem cadeirante de ir ao cinema e um surdo de participar de um seminário na "Casa do Povo" pela inexistência de um intérprete de Libras.

Vamos dizer basta! Para isto, precisamos tirar da invisibilidade milhões de pessoas marginalizadas. É essencial fortalecer o Conselho Estadual dos Direitos da PcD e, além disso, estimular cada homem e mulher com deficiência destes pagos a participar mais das decisões que interfiram no seu futuro.



Roberto Luiz Veiga Oliveira
Presidente do Coepede (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência)



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Minha amiga Liza


Conheci a Liza (ou Lizete Cristina Cenci, para os mais formais) no Seminário Mídia e Deficiência, que a Juliana Carvalho promoveu para discutirmos o pouco espaço que a imprensa dá a pessoa com deficiência. Tive uma nervosa participação nesse seminário logo no primeiro painel mas que me deu muito orgulho.
Não me lembro o que conversei com a Liza nesse dia mas o entrosamento foi rápido porque até tirei foto do Vini (o filho dela) depois do evento.
A Liza e suas duas irmãs (a Leila, a mais velha, e a Ledi, a mais nova. A Liza é a do meio) tiveram uma doença raríssima de nome complicado: acroosteólise neurogênica. A doença é tão rara que fui procurar, no google, uma explicação para vocês e, mesmo sem por as aspas, só encontrei duas páginas de citações. Mas só para vocês terem uma ideia, as três irmãs tem amputações de membros e usam cadeira de rodas.
Umas semanas depois de seminário, encontrei a Liza na passeata do Movimento SuperAção, aqui em Porto Alegre, e de saída, já recebi um sorrisão, o sorriso característico dela. Das outras vezes em que a encontrei, foi a mesma coisa. Melhor do que isso, o nosso astral bateu logo. Liza tem um jeito moleque e carinhoso, que eu adoro. Ela aguenta todas as minhas besteiras (coitada!).
Para completar, a Liza tem esse filho, que comentei lá em cima, o Vinícius, que é um doce de moleque. Um menino lindo; educado e carinhoso. Uma criança extremamente fácil de conviver. A família dela, tive o prazer de conhecer num momento especial: a formatura da Liza. Um pessoal fantástico!
Tenho muito orgulho da minha amizade com ela por ser um relacionamento aberto(ela também me xinga quando abuso nas brincadeiras) e leal. Te adoro, Liza!  

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Bandeirão da Acessibilidade no Olímpico

Dessa vez, eu fui. E gostei. Até porque ir em jogo do Grêmio sempre é bom.
Ficamos mal instalados, atrás do gol, porque era o único portão acessível aos cadeirantes era o das ambulâncias. A volta no campo foi muito legal. Pena que foi muito rápida. Fomos bastante aplaudidos. Teve um momento em que fiquei para trás e sozinho porque queria tirar fotos. Resultado: fui aplaudido sozinho por parte da arquibancada. Foram os meus 15 segundos de celebridade.
Pisar o gramado do Olímpico pela 3ª vez (e provavelmente, a última), depois de sete anos, foi muito gostoso. A gente tem uma visão diferente do estádio. E ainda ganhei uns aplausos, o que é sempre bom para o ego.
As fotos do evento estão no meu facebook. E no Gre-nal do Beira-Rio, o Bandeirão estará de volta.  

domingo, 19 de agosto de 2012

Artigo meu no Correio do Povo

Depois de um bom tempo sem escrever para o Correio do Povo, consegui publicar um artigo hoje sobre a 2ª Semana da Valorização da Pessoa com Deficiência e a 3ª Passeata do Movimento SuperAção em Porto Alegre. Aí está o texto:


Por um Rio Grande mais inclusivo

As pessoas com deficiência, durante muito tempo, estiveram à margem da sociedade. Não nos valorizavam porque duvidavam das nossas possibilidades. Pensavam que tínhamos mais limites do que realmente temos.

Existem muitas situações, hoje em dia, em que mostramos o nosso valor: no trabalho; na escola e universidade ou na mídia, por exemplo. Temos também outras ações estratégicas que buscam mudar essa cultura do coitadismo a que ainda está submetida a pessoa com deficiência (PcD).

No ano passado, tivemos, aqui no Rio Grande do Sul, uma dessas ações, que foi a 1 Semana da Valorização da PcD. Foram 54 atividades espalhadas por 17 cidades. As mais importantes foram os lançamentos dos planos RS Sem Limite, pelo governo estadual, e do Plano Diretor de Acessibilidade de Porto Alegre. Este projeto, aprovado por unanimidade pelos vereadores da Capital e sancionado pela prefeitura, é o primeiro do país. Além disso, foi realizado o primeiro desfile de moda inclusiva no Estado. Tivemos uma intensa participação dos gaúchos e uma ampla cobertura da imprensa.

O resultado foi tão positivo que resolvemos repetir a experiência. Junto com a 2 Semana da Valorização da PcD, que acontecerá de 21 a 28 de agosto, teremos a 17 Semana Estadual da PcD. O número de atividades praticamente dobrou: chegamos a 99. Mais seis cidades aderiram ao movimento, totalizando 23. Para quem quiser conferir a programação completa, acesse www.portaldacessibilidade.rs.gov.br e clique no primeiro banner à esquerda. Todos os eventos são gratuitos.

O ponto alto dessa festa inclusiva será em Porto Alegre, com a 3 Passeata do Movimento SuperAção. A caminhada acontecerá no domingo, dia 26, perto do espelho d''água do Parque da Redenção. A concentração será a partir das 12h30min, e a passeata sairá às 14h. Depois, a bateria da escola de samba Estado Maior da Restinga fará uma apresentação. Contamos com a presença de todos.

Temos a certeza de que a 2 Semana da Valorização da PcD será um sucesso ainda maior e que, a partir dela, a sociedade gaúcha incluirá, respeitará e valorizará cada vez mais as pessoas com deficiência que moram no Estado.